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O cerne da questão

MICHEL DE MONTAIGNE registrou nos seus Ensaios as observações que julgou mais importantes sobre o ser humano, tomando, no geral, sua própria pessoa como referência para não melindrar as demais pessoas, pois, em várias oportunidades, acabaria afirmando as falhas e mazelas que todos carregamos. Em outras oportunidades escreveu sobre temas científicos e artísticos, mas, naquele livro específico, quis tratar do que entendia representar o “cerne da questão” da problemática humana.

JESUS CRISTO - para quem tem paciência para ler a integralidade do Novo Testamento com a mente aberta e sem “pré-conceitos” - também focou o “cerne nas questões” humanas, procurando ensinar a Verdade mais Alta de forma objetiva, através da palavra e do exemplo.

O Direito, através das leis e da jurisprudência, tem como objetivo direcionar, para o Melhor, a vida de relação das pessoas. Nem sempre alcança esse desiderato, seja por causa justamente da falibilidade dos próprios legisladores e operadores do Direito, que nem sempre conseguem enxergar o Melhor ou falseiam-no, seja por causa dos cidadãos, que, em grande quantidade, preferem viver fraudando as regras da honestidade e do respeito aos direitos alheios.

Os defeitos morais humanos podem resumir-se em três: orgulho (consideração exagerada da sua própria pessoa, com conseqüente desprezo pelos demais), egoísmo (fixação excessiva nos seus próprios interesses) e vaidade (ânsia extremada por situações de evidência).

Para elaborar boas leis e boa jurisprudência, bem como para operar o Direito utilmente e também para viver em situação de harmonia social, é necessário que cada um tenha realizado em si o mais possível as virtudes contrárias àqueles defeitos, que são: humildade (considerar-se em pé de igualdade com as demais pessoas), desprendimento (renunciar de boamente ao que não lhe é devido) e modéstia (contentar com a evidência que merecer realmente).

Muitas leis são mero produto de interesses inconfessáveis dos grupos dominantes. Houve, aliás, até uma lei editada para satisfazer o interesse específico de uma única pessoa...

Há jurisprudências que atendem a grupos econômicos ou políticos e violam a própria Constituição...

Muitos operadores do Direito colocam as ambições pessoais de poder e dinheiro acima da causa do povo...

O próprio povo, por ter pouco poder, frauda em pequena escala enquanto condena as grandes fraudes praticadas por mega-empresários e políticos poderosos.

O “cerne da questão” - que é a melhoria da índole das pessoas, a começar pelo esforço de auto-reforma - fica esquecido na maioria dos debates e propostas de mudanças, onde se abordam as superficialidades, temas secundários, questões despiciendas e normalmente acabam-se “trocando seis por meia-dúzia”...

Somos um povo de trato muito ameno, mas nossas instituições estão muito distantes do ideal.

Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Comentários

Este artigo, por sua profundidade, é para ler, reler, meditar, notadamente no que diz respeito a Humildade, desprendimento e modéstia. Adotá-las no comportamento de cada um, seria, sem dúvida, um bom começo. Que Deus ilumine sempre ao Meretíssimo Juiz, Luiz Guilherme Marques. Mario Pallazini - São Paulo - Capital - e-mail:mpallazini@hotmail.com

– Mario Pallazini, aproximadamente 2 anos atrás.

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