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A utilização de programas tipo via voice no judiciário

Nunca se pensou tanto no Brasil em modernização quanto agora.

Essa verdadeira revolução deve-se precipuamente ao espírito modernizador do CNJ, que não tem compromisso algum com o passado e nem está preocupado se desagrada o comando de Tribunais mais conservadores.

Uma das mudanças mais necessárias, que parece ainda não ter passado pela mente dos responsáveis pela informatização do Judiciário, é a utilização de programas do tipo “Via Voice” ao invés dos editores de textos digitados.

Na edição de textos através da digitação consome-se um tempo enorme, desperdiça-se a valiosa mão de obra de escreventes e, no caso do registro das audiências, além desses dois prejuízos, ainda arrisca-se aos registros incorretos, por exemplo, dos depoimentos pessoais e de testemunhas etc.

A quantidade de funcionários inutilizados total ou parcialmente em virtude de LER é muito grande.

Nossa informatização está apenas no início e ainda temos poucas razões para nos vangloriarmos.

A propaganda ufanista dá a entender aos leigos e aos que não vivem o dia-a-dia do foro que estamos muito avançados, mas a verdade é que estamos muito longe do ideal.

Há muita resistência de alguns Tribunais, ciosos da sua autoridade, baseados na autonomia que lhes dá a Constituição Federal, preservando-os até das idéias progressistas, estas que são vitais para os operadores do Direito e os jurisdicionados.

Os funcionários atualmente empregados na digitação devem ser encaminhados para funções mais importantes e realmente úteis, sem o risco de doenças profissionais. Que esses funcionários gastem a voz e não as articulações dos dedos e todos sairão ganhando.

Quem já utilizou algum “software” de edição de textos pelo comando oral sabe das suas imensas vantagens sobre os editores de textos por digitação. Se esses programas não estão bem desenvolvidos para aceitar os comandos na língua portuguesa, deve-se propor aos seus proprietários a necessária adaptação ao nosso idioma.

Não adianta meia-informatização.

A digitalização dos processos, prometida para breve, deverá acontecer somente daqui a alguns anos e, depois de implantado o novo sistema, enquanto houver um processo de papel que seja, teremos de trabalhar nos dois sistemas, o que demandará uns 10 anos em cada Vara ou Comarca. Isso sem contar que continuaremos digitando, contraindo LER e desperdiçando tempo.

Ninguém melhor do que os próprios operadores do Direito para conhecerem os pontos de estrangulamento existentes no trabalho da Justiça. Temos de mostrar aos “experts” da Informática como é nosso dia-a-dia para que eles aperfeiçoem nossas ferramentas de trabalho.

Mas as mudanças somente darão certo se forem consultados os operadores do Direito de todas as Instâncias e de todos os setores de trabalho, do menos ao mais graduado, pois cada tipo de trabalho tem peculiaridades e necessidades diferentes.

As mudanças feitas “de cima para baixo”, sem ouvirem-se “as bases” – como tem acontecido até hoje – acabam “vestindo alguns santos e mantendo nus a maioria”.

Revista Jus Vigilantibus, Segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Comentários

Excelente o artigo. Exemplo de visão prática, com faro de administrador, que vê, a médio prazo o benefício que o "via voice" traria para labor diário em uma serventia judiciária. Este magistrado tem visão, não apenas pela sua sugestão do progarama acionado por voz, como indicando que todos as camadas do judiciário devem opinar, pois que carrega o fardo maior são os servidores.
Eu p. ex, em 10 anos de Justiça, já estou com epcondilite, tenosinovite, e mais algumas "ites"
por aparecer.
Pena que os conselheiros do CNJ não leem artigos como este. è uma pena.

– Jose Luis Gonçalves, 8 meses atrás.

Ótimo artigo. Na verdade se o software tivesse sido aperfeiçoado pela IBM, que detém a patente, provavelmente ja se poderia avançar na modernidade proclamada pelo Douto Magistrado em seu artigo. Todavia a IBM abandonou o projeto largando no mercado um produto inacabado que sómente um único usuário por vez, mediante o prévio reconhecimento de voz e estílo de leitura em slêncio absoluto para sem interferência de ruídos estranhos ao sistema, inaplicável no caso de audiência. Minha experiência com o Via Voice não foi satisfatória, notadamente ao tempo perdido em correção de texto. A origem da programação é essencialmente feita em idioma inglês, o que dificulta sobremaneira sua utilização em português com vocabulário bem mais rico e complicado do que o idioma original do software.
Todavia, acredito que no futoro, bem próximo teremos algo semelhante produzido com matéria prima nacional. Com certeza com melhores inovações e muito mais efeciente que o da IBM.
Finalmente gostaria de acrescentar que sou advogado militante no Foro da Capital do Rio de Janeiro e fiquei sensibilizado com a destreza do Ilustre e Douto Magistrado, aquem parabenizo pela sua visão arrojada de futuro, além das fronteiras conservadoras de alguns poucos "operadores do direito" do passado.
Mais uma vez parabenizo o autor pelo artigo e, espero que continue sempre assim, com olhos sempre voltados para o futuro.
Até a próxima, Jeremias Amaral, OAB/RJ 22.603 < lextantum@gmail.com >.

– Jeremias Amaral, 8 meses atrás.

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