Por um Judiciário mais humano numa sociedade de pouca ética
por Luiz Guilherme Marques.
Em última instância, cada pessoa age de acordo com sua filosofia de vida. Suas mínimas atitudes refletem o que ela trás gravado no seu mundo interior. Nosso psiquismo se assemelha a um complexo programa de computador, que dispara comandos automaticamente diante de cada situação. Somos impulsionados a agir e reagir, sentir e pensar por força dos condicionamentos que fomos estratificando no curso dos anos.
Os povos também adquirem, em virtude de sua vivência, um estilo peculiar. Não há povos iguais como não há pessoas iguais.
Os indianos em geral, por exemplo, devido à sua religiosidade multimilenar - que os ensina a valorizar o espírito muito mais do que o corpo e as coisas materiais - investem menos que os europeus e americanos nas ciências voltadas para o bem-estar físico. Por força dessa forma de pensar, lá os crimes contra o patrimônio ocorrem minimamente. São menos agressivos que aqueles outros povos e, portanto, praticam menos crimes contra a pessoa. Em resumo, se há um número alarmante de casos de exclusão social e grande número de analfabetos – inclusive com a continuidade, de fato, da falta de oportunidades aos dalits – as pessoas e as comunidades vivem, talvez, mais em paz do que nós.
Nós, brasileiros, colonizados inicialmente pelos portugueses, mas, posteriormente, sofrendo a influência das culturas alemã, italiana, síria e libanesa, ficamos desprivilegiados em parte, devido à pouca espiritualidade desses povos, sua agressividade e apego às coisas do corpo e da matéria. Assim, vivemos numa sociedade onde o número de crimes contra a pessoa, o patrimônio e os costumes é muito grande. Conhecemos os postulados do Cristianismo na teoria, mas praticamo-los muito pouco. Nosso Direito é minucioso e detalhista, mas somos inclinados a descumprir as regras do espírito de coletividade e aos direitos alheios, sob o impulso automatizado de “querer levar vantagem em tudo”...
Enquanto cultivarmos a mentalidade da desonestidade, da agressividade, do culto ao corpo, do individualismo e falta de ideais coletivistas, a Justiça estará sempre assoberbada e o Direito será mero programa distante da realidade.
No Japão a Justiça existe apenas como departamento secundário na estrutura governamental, porque as pessoas são preparadas, desde épocas remotas, a resolver suas pendências através do diálogo.
Precisamos conscientizar-nos, através da auto-análise, das necessidades éticas e morais. Não há como querermos ser um povo melhor do que somos cultivando os mesmos defeitos de sempre. Centenas de abelhas fazem uma próspera colméia, produzindo mel e geléia real. Centenas de gafanhotos destroem uma plantação, causando grande prejuízo.
Nosso problema não é tanto de falta instrução quanto de falta de ética e moralidade, a começar pelas elites, que utilizam seus privilégios para “levar mais vantagens” em troca de mínima contribuição em favor das camadas populares.
Nós, magistrados, como integrantes da elite, temos o dever moral de contribuir para o progresso da sociedade, trabalhando com humanidade para o ajustamento ético das pessoas e as soluções das suas divergências.
DEUS cobra mais de quem recebe mais!
Os povos também adquirem, em virtude de sua vivência, um estilo peculiar. Não há povos iguais como não há pessoas iguais.
Os indianos em geral, por exemplo, devido à sua religiosidade multimilenar - que os ensina a valorizar o espírito muito mais do que o corpo e as coisas materiais - investem menos que os europeus e americanos nas ciências voltadas para o bem-estar físico. Por força dessa forma de pensar, lá os crimes contra o patrimônio ocorrem minimamente. São menos agressivos que aqueles outros povos e, portanto, praticam menos crimes contra a pessoa. Em resumo, se há um número alarmante de casos de exclusão social e grande número de analfabetos – inclusive com a continuidade, de fato, da falta de oportunidades aos dalits – as pessoas e as comunidades vivem, talvez, mais em paz do que nós.
Nós, brasileiros, colonizados inicialmente pelos portugueses, mas, posteriormente, sofrendo a influência das culturas alemã, italiana, síria e libanesa, ficamos desprivilegiados em parte, devido à pouca espiritualidade desses povos, sua agressividade e apego às coisas do corpo e da matéria. Assim, vivemos numa sociedade onde o número de crimes contra a pessoa, o patrimônio e os costumes é muito grande. Conhecemos os postulados do Cristianismo na teoria, mas praticamo-los muito pouco. Nosso Direito é minucioso e detalhista, mas somos inclinados a descumprir as regras do espírito de coletividade e aos direitos alheios, sob o impulso automatizado de “querer levar vantagem em tudo”...
Enquanto cultivarmos a mentalidade da desonestidade, da agressividade, do culto ao corpo, do individualismo e falta de ideais coletivistas, a Justiça estará sempre assoberbada e o Direito será mero programa distante da realidade.
No Japão a Justiça existe apenas como departamento secundário na estrutura governamental, porque as pessoas são preparadas, desde épocas remotas, a resolver suas pendências através do diálogo.
Precisamos conscientizar-nos, através da auto-análise, das necessidades éticas e morais. Não há como querermos ser um povo melhor do que somos cultivando os mesmos defeitos de sempre. Centenas de abelhas fazem uma próspera colméia, produzindo mel e geléia real. Centenas de gafanhotos destroem uma plantação, causando grande prejuízo.
Nosso problema não é tanto de falta instrução quanto de falta de ética e moralidade, a começar pelas elites, que utilizam seus privilégios para “levar mais vantagens” em troca de mínima contribuição em favor das camadas populares.
Nós, magistrados, como integrantes da elite, temos o dever moral de contribuir para o progresso da sociedade, trabalhando com humanidade para o ajustamento ético das pessoas e as soluções das suas divergências.
DEUS cobra mais de quem recebe mais!
Revista Jus Vigilantibus, Sexta-feira, 1º de janeiro de 2010
Comentários
Que lição! Obrigado Juiz Luiz Guilherme pela lição que o Sr. nos dá em tão poucas palavras. A nossa sociedade carece, realmente, da ética e da moral. Me permite parabenizá-lo pelo ensinamento.
– Fernando Pereira, aproximadamente 2 anos atrás.