Mudança de mentalidade no atendimento ao público
por Luiz Guilherme Marques.
(Dedico este artigo a FRANCIANE PROCÓPIO NARDY DE ALMEIDA, excelente Delegada de Polícia do Distrito Federal)
A autoconfiança é um dos requisitos mais importantes em qualquer atividade, seja profissional ou qualquer outra. Por força dela, empenhamo-nos para que os objetivos sejam alcançados.
Todavia - se é verdade que ela representa o impulso e a determinação indispensáveis que nos levam para a frente e para cima - é necessário que seja contrabalançada pela reflexão, pela ponderação, em outras palavras, pela humildade.
Quando se fala em humildade, normalmente vem-nos à mente um sentimento de desagrado, uma vez que refletimos até hoje o espírito romano de arrogância, da época em que (des)educavam-se as crianças e adultos com a crença ingênua de supremacia sobre os demais povos, que eram tratados como inferiores.
Temos de ser “campeões”, “titulares”, “vencedores” custe o que custar, mas nunca vices, vencidos, reservas...
Nos concursos públicos em que há o exame psicotécnico verifica-se se os candidatos têm a capacidade de liderança. Há até em determinadas escolas (assombrosamente, algumas até administradas por “religiosos”) a preocupação em formarem-se líderes. Imagine-se, crianças e adolescentes líderes... Que deformação psicológica!...
Em suma, vivemos numa sociedade extremamente hierarquizada e elitista. Você terá de ser um vencedor ou um derrotado: não há meio-termo...
Os psicólogos mais conscientes submetem-se periodicamente a tratamentos por outros colegas como forma de melhor se prepararem no trato com os problemas dos pacientes em geral. Verdadeira demonstração de humildade, reconhecimento das próprias limitações e procura pela excelência profissional.
Os operadores do Direito mal se submetem ao psicotécnico por ocasião da seleção inicial e muitos sequer avaliam-se seriamente no curso da sua vida profissional, muitas vezes seguindo o rumo do arbítrio por anos a fio, até que a aposentadoria venha a colhê-los, para alívio das pessoas obrigadas a conviver com suas arbitrariedades.
É muito sério esse fato no Serviço Público. Há uma tendência muito forte para a arrogância, que leva ao atendimento deseducado, frio e insatisfatório aos cidadãos em geral.
Se fosse realizado um levantamento estatístico sobre a qualidade do atendimento ao público, talvez 90% dos servidores dos três Poderes (do mais graduado ao menos graduado, inclusive nós) fosse reprovado.
Atender bem não é só cumprimentar as pessoas e dirigir-lhes um sorriso, mas também interessar-se realmente em resolver seus problemas. Aí vai uma dose muito grande de respeito humano, mentalidade democrática, solidariedade e outros valores relevantes na vida social.
O Serviço Público – principalmente os setores encarregados de seleção de candidatos – deve passar a priorizar esse dado de cunho psicológico.
Sem isso, teremos ótimos computadores, salas com ar condicionado, equipamentos modernos, mas servidores sem nenhuma vocação para servir.
Revista Jus Vigilantibus, Sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Comentários
Olá Dr.L.G.Marques! tenho acompanhado seus artigos e colunas, e concordo plenamente com todos os seus ensinamentos, acredito ainda que se já não é um escritos de auto ajuda,acredito que teremos mais um mineiro bem sucedido neste ramo, pense nisso.Abraço de seu admirador, estudante do 10º período de direito, Cesmac/Fadima. Denivaldo.
– Denivaldo Cordeiro Pachêco, aproximadamente 2 anos atrás.
Ótimo, excelente!Todos deveriam ler.
– Shen Rochus Mingli, aproximadamente 2 anos atrás.
Parabenizo a sensibilidade com que descreve a situação juridica que vive o pais.Como estudante de Direito,sou sua fã, compactuo com sua maneira de pensar.
Valceli Machado.
– Valceli de Oliveira Machado, aproximadamente 2 anos atrás.