Bernie S. Siegel e os abusos de autoridade
por Luiz Guilherme Marques.
BERNIE S. SIEGEL é um médico americano que celebrizou-se por um novo paradigma para a Medicina, consistente na humildade e afetividade que deveriam ser adotadas pela classe médica: ao invés do relacionamento frio e “de cima para baixo”, médico e paciente deveriam dialogar como bons amigos que aprendem um com o outro.
Tão logo tomou ciência da própria arrogância e frieza, resolveu mudar, abolindo a mesa que o separava dos pacientes, dispensando o tratamento formalista de doutor, sugerindo ser tratado apenas como BERBIE e passando a um tête-à-tête informal e fraterno com cada doente. Sobretudo, tem dado amor ao invés de simples cirurgias e medicamentos.
Realmente, muitos daqueles profissionais colocam-se na posição de verdadeiros deuses, que implicitamente cobram uma reverência submissa, como se dissessem a cada um “ajoelha-te diante de mim, que te darei a cura”.
Com essa postura inovadora, BERNIE conquistou, ao mesmo tempo, muitos amigos e admiradores entre os pacientes, os leitores dos seus livros e os ouvintes de suas palestras, e muitos rancores e críticas da parte dos seus colegas: os primeiros ficaram felizes em ter um sincero amigo e os segundos passaram a vê-lo como inimigo da classe, que lhe retirava o tradicional prestígio.
A luta entre o antigo e o moderno, o retrógrado e o progressista, o egoísmo e o desprendimento sempre fizeram parte da História da humanidade e de todas as instituições humanas.
A partir do século XIX - com a derrocada do Catolicismo na Europa e a valorização da Ciência - a classe médica assumiu a postura de infalibilidade da Religião, pretendendo substituí-la perante a população: o materialismo mecanicista e frio tem ocupado o lugar do DEUS antropomórfico e tendencioso.
No Judiciário francês do século XVI apareceu um magistrado que antecipou o perfil de BERNIE, com a diferença de que simplesmente abandonou a toga e a vida pública, passando a escrever sobre Filosofia, daí surgindo sua famosa obra Ensaios, que vem servindo para a reflexão das sucessivas gerações livre-pensantes. Trata-se de MICHEL DE MONTAIGNE, que tem-me inspirado uma versão amigável e democrática do Judiciário.
As pessoas estão cansadas de ajoelhar-se diante dos servidores públicos arrogantes, que, na verdade, deveriam atender melhor os cidadãos, que os sustentam através do pagamento dos impostos.
Os cidadãos querem que os servidores – dos três Poderes da República – os tratem com igualdade e não sobranceiramente e cumpram seu dever de prestar-lhes um serviço eficiente.
Aliás, os membros dos três Poderes deveriam conscientizar-se de que o povo é o único Poder.
Qualquer servidor público – por menos graduado que seja - arroga-se poder; quer exercer o poder, beneficiar-se do poder, satisfazer seu ego com o poder...
Precisamos de muitos BERNIEs no Serviço Público em geral e no Judiciário em especial, por exemplo, para termos menos pessoas presas desnecessariamente, filas menores, maior celeridade nos atendimentos e um sorriso atencioso no rosto de cada servidor.
Tão logo tomou ciência da própria arrogância e frieza, resolveu mudar, abolindo a mesa que o separava dos pacientes, dispensando o tratamento formalista de doutor, sugerindo ser tratado apenas como BERBIE e passando a um tête-à-tête informal e fraterno com cada doente. Sobretudo, tem dado amor ao invés de simples cirurgias e medicamentos.
Realmente, muitos daqueles profissionais colocam-se na posição de verdadeiros deuses, que implicitamente cobram uma reverência submissa, como se dissessem a cada um “ajoelha-te diante de mim, que te darei a cura”.
Com essa postura inovadora, BERNIE conquistou, ao mesmo tempo, muitos amigos e admiradores entre os pacientes, os leitores dos seus livros e os ouvintes de suas palestras, e muitos rancores e críticas da parte dos seus colegas: os primeiros ficaram felizes em ter um sincero amigo e os segundos passaram a vê-lo como inimigo da classe, que lhe retirava o tradicional prestígio.
A luta entre o antigo e o moderno, o retrógrado e o progressista, o egoísmo e o desprendimento sempre fizeram parte da História da humanidade e de todas as instituições humanas.
A partir do século XIX - com a derrocada do Catolicismo na Europa e a valorização da Ciência - a classe médica assumiu a postura de infalibilidade da Religião, pretendendo substituí-la perante a população: o materialismo mecanicista e frio tem ocupado o lugar do DEUS antropomórfico e tendencioso.
No Judiciário francês do século XVI apareceu um magistrado que antecipou o perfil de BERNIE, com a diferença de que simplesmente abandonou a toga e a vida pública, passando a escrever sobre Filosofia, daí surgindo sua famosa obra Ensaios, que vem servindo para a reflexão das sucessivas gerações livre-pensantes. Trata-se de MICHEL DE MONTAIGNE, que tem-me inspirado uma versão amigável e democrática do Judiciário.
As pessoas estão cansadas de ajoelhar-se diante dos servidores públicos arrogantes, que, na verdade, deveriam atender melhor os cidadãos, que os sustentam através do pagamento dos impostos.
Os cidadãos querem que os servidores – dos três Poderes da República – os tratem com igualdade e não sobranceiramente e cumpram seu dever de prestar-lhes um serviço eficiente.
Aliás, os membros dos três Poderes deveriam conscientizar-se de que o povo é o único Poder.
Qualquer servidor público – por menos graduado que seja - arroga-se poder; quer exercer o poder, beneficiar-se do poder, satisfazer seu ego com o poder...
Precisamos de muitos BERNIEs no Serviço Público em geral e no Judiciário em especial, por exemplo, para termos menos pessoas presas desnecessariamente, filas menores, maior celeridade nos atendimentos e um sorriso atencioso no rosto de cada servidor.
Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Comentários
Pouco são os magistrados que possuem uma capacidede de entendimento social tão moderna. O Estado tem grande impacto sobre a vida seus cidadãos. Por essa razão entendemos que as instituições não podem ser meros reflexos de superestruturas acríticas, mas sim, alterar os rumos da história de uma nação. Lamentavelmente, contudo, poucos são os nossos BERNIES. Mesmo assim, que não se acomodem ou acovardem os brilhantes sevidores que reconhecem que o povo em geral deve ser tratado da melhor manira possível. Ainda que se tenha de responder negativamente o faça com urbanidade, respeito e, acima de tudo, com o compromisso de bem representar o seu Estado. Feliz o Tribunal que tem em seus quadros um herói da inteligência resistente como é o caso desse ilustre Magistrado Luiz Guilherme Marques. Parabéns!
– Raimundo Rodrigues de Sousa - Ten. Cel da PMPI, aproximadamente 2 anos atrás.
Dr. Luiz Guilherme Marques, deveriamos difundir esta moderna visão em relação aos cidadãos, pois é deles o Poder, e não dos seus representantes, que usufruem da confiança delegadas pelo povo para satisfação pessoal, e para poucos, quando muitos sequer podem ter acesso ao Poder Judiciário, ou a outro orgão público. Esquecem que são apenas funcionarios, na verdade, não passam de empregados do cidadão, e agem como se fossem donos do país, oferecendo tratamentos desumano aos seus empregadores. Brilhante trabalho.
– Andrea Maria Ferreira Tartuce - Advogada, aproximadamente 2 anos atrás.