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Mudança de paradigmas éticos no serviço público

Quando os inimigos políticos de CAIO JÚLIO CÉSAR decidiram matá-lo, pretendiam, ao mesmo tempo, impedir que o ditador pusesse suas vidas em risco e tomar o poder.

Anos depois, a maioria dos senadores romanos declarou o imperador NERO inimigo do Estado por temer suas arbitrariedades e para retomar a fatia de poder que exercia antes daquele governo ditatorial.

Em quase todas as disputas pelo poder - em todas as épocas - estão em jogo interesses pessoais acobertados pela aparência de defesa das causas públicas.

Nessas conjunturas não importam o regime de governo e o regramento jurídico em vigor.

Se os exercentes do poder - seja ele em que esfera for – não destinam às pessoas influentes do momento uma fatia do comando, estão fadados a perdê-lo, tal como aconteceu com GETÚLIO VARGAS.

O comando exercido pelas “eminências pardas” é realmente ponderável e não pode ser ignorado.

Em todos os segmentos do poder existe o risco da dominação dessas pessoas aparentemente inexpressivas mas realmente dominadoras.

Há casos de funcionários dos baixos escalões que, de fato, dirigem instituições de grande prestígio, enquanto que os dirigentes de direito contentam-se em aparecer e discursar nas solenidades e assinar os documentos que aqueles primeiros redigem. Enquanto os últimos satisfazem-se com o exercício da própria vaidade os primeiros praticam duramente o poder escondidos no anonimato.

É importante distinguirmos claramente as situações para o bem do Serviço Público.

Pessoalmente, prefiro não subir muito alto, pois, se ultrapassar determinado nível terei que ser mero porta-voz de “eminências pardas”.

O Serviço Público necessita de intenções idealistas, nenhuma conexão com negociatas e nenhuma ligação com fontes de corrupção.

A seleção dos seus servidores deve ser rigorosa mais pela qualificação moral do que pelos adereços intelectuais.

A melhoria nesse processo é gradativa não havendo, infelizmente, de fato, como renovar-se o Serviço Público a curto prazo em termos de moralidade e idealismo verdadeiro.

Neste novo século não se pode mais considerar como natural e aceitável que vivamos sob o comando disfarçado de “criminosos de colarinho branco” em muitos setores da vida social.

O primeiro passo é abrirmos os olhos.

Revista Jus Vigilantibus, Segunda-feira, 30 de novembro de 2009

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