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Transdisciplinaridade para os operadores do Direito

CARLOS ANTÔNIO LEITE BRANDÃO é Diretor do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG. Escreveu um livro intitulado As Profissões do Futuro, que é vendido junto com um DVD que traz sua palestra além de entrevistas com outros professores sobre o assunto. O livro e o DVD foram editados pela UFMG.

Uma importante afirmação de BRANDÃO é que os profissionais devem, depois de adquirirem grande conhecimento de sua área especializada, passar a estudar outra(s) área(s) para fazerem conexões entre elas, visando adquirir uma visão transdisciplinar.

Outra afirmação é que os conhecimentos devem ser adquiridos não com a intenção de ter-se uma inteligência enciclopédica, mas sim visando sua aplicação prática, ou seja, só interessam as informações que tenham interesse prático.

BRANDÃO aconselha também que a exploração dessa(s) nova(s) área(s) se faça através do autodidatismo, numa busca independente, mas dedicada.

Transplantando essas advertências para o mundo jurídico, entendo que não faz mais sentido o operador do Direito conhecer apenas as regras jurídicas e limitar seus interesses a simplesmente aplicá-las como “carimbador”. O profissional deve enveredar também por outras áreas. São os casos, por exemplo, de FERNANDO NETO BOTELHO e ALEXANDRE ATHENIENSE, respectivamente desembargador do TJMG e advogado, que conhecem como poucos a Informática Jurídica.

Quanto a mim, depois de algum tempo de incursão na Informática Jurídica, encontrei meu foco maior na Psicologia, visando penetrar o mundo interior das partes nas audiências, com a finalidade de levá-las à transação, que entendo a única forma definitiva de solucionar os litígios.

Os futuros concursos para a Magistratura irão cobrar dos candidatos matérias como Sociologia e Filosofia além das matérias jurídicas tradicionais. Essa forma de desenvolver-se o conhecimento de uma segunda e terceira áreas não coincide exatamente com sugestão do professor da UFMG, mas demonstra a tendência moderna para a transdisciplinaridade.

A WIKIPÉDIA (http://pt.wikipedia.org/wiki/Transdisciplinaridade) trata da transdisciplinaridade

    Termo originalmente criado por Piaget, que no I seminário Internacional sobre pluri e interdisciplinaridade, realizado na Universidade de Nice, também conhecido com Seminário de Nice, em 1970, divulgou pela primeira vez o termo, dando então início ao estudo sobre o mesmo, pedindo para que os participantes pensassem no assunto.

    Hoje, tendo o Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET) como um dos principais centros mundiais de estudos sobre os conceitos transdisciplinares, é um dos mais complexos, e por conseqüencia um dos mais estudados conceitos, onde ao mesmo tempo procura uma interação máxima entre as disciplinas porém respeitando suas individualidades, onde cada uma colabora para uma saber comum, o mais completo possível, sem transformá-las em uma única disciplina.

    E é na Carta da transdisciplinaridade, produzida pela UNESCO no I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade 1994, realizado em Arrábida, Portugal, com fundamental colaboração do CIRET, em que temos uma definição do conceito transdisciplinar:

  • Artigo 3: "(...) a transdisciplinaridade não procura o domínio sobre várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa (...)"
  • Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências."

    No âmbito acadêmico, já no século XX, com o intuito de unir o mundo " não universitário" ao universitário, cuja separação se dá primordialmente pela hiperespecialização profissional, com grande número de disciplinas que não acompanham todo o desenvolvimento, principalmente na área tecnológica, temos um aprofundamento na utilização deste conceito, visando formar profissionais cada vez mais completos, compatíveis com as exigências do mercado de trabalho que este futuro profissional encontrará.

    Assim tão complexo quanto os problemas que tenta solucionar, tem-se a transdisciplinaridade, que por ser tão sutil, ser a linha tênue que une e serve de limite entre o comprometimento e o individualismo de cada disciplina, que não possui uma definição exata, e ao mesmo tempo é um dos mais necessários conceitos quando tratamos de formação e educação.

Fica a sugestão para quem quer estar antenado com o Futuro.

Revista Jus Vigilantibus, Domingo, 25 de outubro de 2009

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