Submarino.com.br

A fragilidade do esporte feminino no Brasil

O esporte feminino no Brasil tem relativamente pouquíssimas praticantes. Isso se deve a uma educação equivocada, que ainda persiste, continuidade da mentalidade retrógrada dos tempos passados.

Até há pouco tempo atrás, raras mulheres desenvolviam alguma modalidade esportiva: eram educadas para o casamento e a maternidade, podendo, no máximo, ocupar algum cargo no magistério, principalmente no ensino elementar. Qualquer atividade esportiva era considerada arriscada para a “fragilidade” feminina.

São exemplos de mentalidade avançada nesse aspecto, na nossa cidade de Juiz de Fora, MÁRCIA FU e sua irmã CIDA CUNHA, BEATRIZ HOLLANDA além de VIVIANE ANDERSON.

Mesmo depois de comprovado cientificamente que a prática de exercícios físicos desde a infância até a velhice é indispensável para a saúde, o preconceito ainda prejudica as mulheres.

Hoje preocupam-se muitas adolescentes, jovens e mulheres adultas em exacerbar a feminilidade, acreditando que a sensualidade lhes seja mais útil que o vigor proporcionado pelos esportes.

Muitos pais e mães contribuem para essa visão distorcida do culto da sensualidade, fabricando “patricinhas”, que desde a mais tenra idade aprendem a enfeitar-se demasiadamente e pouco fazem em termos de atividades físicas. São verdadeiras bonecas ambulantes.

As escolas deveriam incentivar as atividades físicas desde a mais tenra infância até o nível universitário. Normalmente as primeiras são tidas como imaturas e segundas como pessoas que não necessitam mais dessas atividades. Com isso, começa-se tarde e encerra-se cedo a vida esportiva. Grande quantidade de jovens com pouco mais de 20 anos apresentam-se totalmente “fora de forma”, candidatando-se a graves problemas de saúde tão logo ingressam na faixa dos 40.

Nosso país deveria realizar mais eventos esportivos que criassem o hábito da prática esportiva.

As mulheres deveriam ser despertadas desde a infância para esse tipo de atividade, valorizando-se todas as modalidades através de premiações principalmente em dinheiro e não apenas modestas medalhas de R$1,99.

Quem é pai, mãe ou educador tem o dever de valorizar a formação das meninas tanto na parte intelectual quanto moral como física, inclusive sabendo que a melhor forma de incentivá-las à prática esportiva é praticar algum esporte. Se quero convencer minhas filhas ou alunas a praticar esportes devo praticar algum esporte, pois, “se a palavra convence, o exemplo arrasta”. Se sou sedentário terei muita dificuldade em convencer alguém a tornar-se atleta.

Os esportes elevam a autoestima, evitando a depressão e contribuem para a conquista de amizades sadias.

Isso tudo sem contar que somente teremos condições de fazer um papel mais bonito na Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro se começarmos a desenvolver nossas meninas e adolescentes desde já.

Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deixe seu comentário