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Humanismo no Direito e na Justiça

(Dedico este artigo a JOÃO BAPTISTA HERKENHOFF, que realizou um importante trabalho como Juiz de Direito e celebrizou-se como campeão do Direito e da Justiça Humanitários)

PAULO GHIRARDELLI JUNIOR é um filósofo brasileiro, doutorado pela USP e pela PUC-SP, autor de mais de 40 livros sobre Filosofia e dono de uma didática excepcional, que vem utilizando inclusive a moderna tecnologia do DVD para divulgar seus conhecimentos e análises, de grande interesse para o público a quem importa conhecer a Filosofia de forma clara e simples.

Sua entrevista intitulada Cristianismo, Fé & Deus à Luz da Filosofia, editada pela Tríada, é muito útil para os operadores do Direito, uma vez que muitos de nós exageram no hábito do raciocínio técnicojurídico e tendem a tornar-se mecanicistas e descrentes, enquanto que aquele filósofo afirma ser importante contrabalançar a racionalidade com a fé religiosa.

Acredita ele que as pessoas dadas ao hábito da oração costumam ter uma autoestima mais elevada que as que não rezam.

Hoje em dia fala-se muito sobre autoestima e considera-se-a importante para todos os tipos de atividade, inclusive as profissionais.

Verificamos que, por várias maneiras diferentes, a humanidade tem sido levada novamente ao sentimento religioso depois dos seis séculos da Inquisição, sucedidos por quatorze décadas de materialismo.

Não há uma referência realmente segura para o Direito e a Justiça modernos fora da idéia cristã de que somos todos irmãos. A ideologia materialista, pelo contrário, somente produziu os grandes atentados contra a Paz e o Progresso verdadeiros.

Os teóricos e operadores do Direito materialistas costumam encarar os seres humanos como meras forças produtivas e números nas estatísticas.

Felizmente, os profissionais dotados de mentalidade humanística vão infiltrando suas idéias em todos os segmentos.

A inteligência emocional é apanágio desses luminares, representando a capacidade de lidar com situações e pessoas de forma ponderada e encontrar a melhor solução para cada caso.

Os rumos do Direito e da Justiça têm de mudar para inculcarem na sociedade os ideais de cidadania plena para todos os habitantes.

A exclusão social tem de ser minimizada, criando-se oportunidades para todos, reduzindo a pobreza e a carência de saúde e instrução.

Infelizmente, os concursos públicos ainda têm aprovado muitas pessoas sem nenhuma vocação para o Serviço Público por falta de adesão ao ideal de servir, enquanto que o exame de ordem sequer analisa esse requisito.

Muitos envergonham-se de afirmarem-se dotados de crença religiosa por condenável covardia moral, devido ao receio de serem ridicularizados.

Cada um deve trabalhar pela melhoria das instituições e das pessoas na sua área de influência.

Revista Jus Vigilantibus, Segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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