Oração de um juiz
por Luiz Guilherme Marques.
Acima da obediência que a Justiça impõe coercitivamente aos cidadãos – através de uma série de penalizações, considerando-se que os processos, em si mesmos, já representam alta carga de tensão emocional, que inclusive adoece as pessoas mais sensíveis – é necessário que cada um procure encher-se do sentimento de Fraternidade.
Somente plenificando-se dessa compreensão interior – que transforma-se em atitudes pacíficas e benfazejas em relação aos outros – é que o ser humano tem condições de viver em harmonia no meio onde é levado a desenvolver sua vida de relação.
Devemos nos desvincular um tanto das preocupações jurídicas e voltar os olhos para os seres humanos, levando em conta suas potencialidades como filhos de Deus.
Os debates jurídicos têm muito de frieza em relação aos seres humanos em si, tratados muitas vezes como meros dados nas estatísticas ou como criaturas manipuláveis pela vontade arbitrária dos donos do poder.
Quando nos debruçamos sobre os problemas humanos com os olhos da Fraternidade é que surgem as verdadeiras soluções para seus problemas, que nunca passam pela vitória de uns e humilhação de outros, pois, na verdade, todos merecem ter oportunidade de crescerem perante Deus.
As grandes almas – dentre as quais Mohandas Gandhi – superaram os meros julgamentos humanos e passaram a enxergar cada criatura com os olhos voltados para a essência divina de cada um. Por isso, pensam em todos num grande amplexo que supera todas as divergências.
Se não há condição de aplicar essa ideologia em todos os momentos dos processos judiciais – porque representam ainda muito da agressividade do próprio Estado – que, pelo menos nos momentos de reflexão, se imbua a mente dessa suavidade, que alivia a pressão das idéias de julgar os semelhantes, rotulando-os com uma certa carga de ódio mal disfarçado.
É necessária uma imersão periódica nas correntes da reflexão filosófica e religiosa para retornarmos arejados e em condições de continuar analisando culpas alheias e ódios sempre irracionais de uns contra outros.
Nem todo mundo inveja nossa profissão de analisar com uma balança fidelíssima quem é o menos culpado dos litigantes e cirurgiar os tecidos necrosados dos desavindos sem causar-lhes a morte.
Somente Deus pode nos manter íntegros nessas lutas entre ódios terríveis das partes, fazendo-nos não cometer injustiças e tentar pacificá-los.
Assim, tenho orado a Deus para enxergar com olhos de Fraternidade cada um que sou levado a julgar no meu duro ofício de juiz.
Somente plenificando-se dessa compreensão interior – que transforma-se em atitudes pacíficas e benfazejas em relação aos outros – é que o ser humano tem condições de viver em harmonia no meio onde é levado a desenvolver sua vida de relação.
Devemos nos desvincular um tanto das preocupações jurídicas e voltar os olhos para os seres humanos, levando em conta suas potencialidades como filhos de Deus.
Os debates jurídicos têm muito de frieza em relação aos seres humanos em si, tratados muitas vezes como meros dados nas estatísticas ou como criaturas manipuláveis pela vontade arbitrária dos donos do poder.
Quando nos debruçamos sobre os problemas humanos com os olhos da Fraternidade é que surgem as verdadeiras soluções para seus problemas, que nunca passam pela vitória de uns e humilhação de outros, pois, na verdade, todos merecem ter oportunidade de crescerem perante Deus.
As grandes almas – dentre as quais Mohandas Gandhi – superaram os meros julgamentos humanos e passaram a enxergar cada criatura com os olhos voltados para a essência divina de cada um. Por isso, pensam em todos num grande amplexo que supera todas as divergências.
Se não há condição de aplicar essa ideologia em todos os momentos dos processos judiciais – porque representam ainda muito da agressividade do próprio Estado – que, pelo menos nos momentos de reflexão, se imbua a mente dessa suavidade, que alivia a pressão das idéias de julgar os semelhantes, rotulando-os com uma certa carga de ódio mal disfarçado.
É necessária uma imersão periódica nas correntes da reflexão filosófica e religiosa para retornarmos arejados e em condições de continuar analisando culpas alheias e ódios sempre irracionais de uns contra outros.
Nem todo mundo inveja nossa profissão de analisar com uma balança fidelíssima quem é o menos culpado dos litigantes e cirurgiar os tecidos necrosados dos desavindos sem causar-lhes a morte.
Somente Deus pode nos manter íntegros nessas lutas entre ódios terríveis das partes, fazendo-nos não cometer injustiças e tentar pacificá-los.
Assim, tenho orado a Deus para enxergar com olhos de Fraternidade cada um que sou levado a julgar no meu duro ofício de juiz.
Revista Jus Vigilantibus, Quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Comentários
É isso.
Muito bom.
Qualquer setor de atividade humana, no caso a judicial, seja como judicante ou litigante, não deve ser separada do sentimento do amor, pois o mesmo é a principal lição a ser aprendida pelos espíritos encarnados, como condição da verdadeira evolução.
Parabéns!
José Mauro.
– José Mauro de Araújo Machado, mais de 2 anos atrás.
Para mim, sempre é prazeroso lê todos os artigos do Dr. Luiz Guilherme. Homem, acima de tudo, sensível e alma iluminada.
Parabéns!
Continue a escrever. Assim, quem sabe, o senhor consiga transmitir um pouco dessa sua alma e espírito iluminados, para nós operadores do Direito.
Irani Leal - Advogada em Brasília-DF.
– irani de souza araujo leal ferreira, mais de 2 anos atrás.
Quando leio os artigos do magistrado desperta-me o sentimento de Humanidade. Sempre oportunos e inusitados e ele agora fala publicamente em Fraternidade. Penso que isto não seja comum.
O Direito na Italia desenvolve a Teoria do Direito Fraterno que a Professora gaúcha Doutora Sandra Regina Martini Vial enfoca em suas aulas na pós graduação. Entendo que está surgindo uma oportunidade para um evento que possa reunir, dentre muitos outros que não conheço, sobre o Direito Fraterno.
– Luiz Eugenio Figueiredo Fiad, mais de 2 anos atrás.