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Competir menos e servir mais

Bem ou mal as religiões têm contribuído para o aperfeiçoamento ético da humanidade. Cada uma delas se supõe a melhor e seus adeptos normalmente são exclusivistas e intransigentes na disputa mais ou menos explícita pela sua pretensa superioridade. Todavia, foi JESUS CRISTO quem traçou um critério inteligente de avaliação das pessoas quando enunciou o seguinte postulado: “É superior a todos aquele que a todos serve espontaneamente”.

Esse referencial vale também para as instituições.

Uma instituição que a ninguém serve pouca utilidade tem.

Essa utilidade deve ser aferida pela dedicação dos seus mandatários a ser comprovada no dia a dia.

Um profissional é melhor que outro na medida em que mais serve à coletividade em que vive. De pouco adianta ser um verdadeiro gênio se sua inteligência a ninguém beneficia.

Quanto aos operadores do Direito podem ser classificados em úteis e perniciosos. Os primeiros trabalham para pacificar sempre que possível, algumas vezes pleiteando a aplicação de corretivo aos que praticam ações nocivas à coletividade. Os últimos visam apenas seus próprios interesses, não trepidando em “atropelar” aqueles que atravessam seu caminho.

Não importa tanto seu nível intelectual, mas sim a sintonia com o ideal de Fraternidade.

Infelizmente, costuma-se glorificar os astutos e egoístas bem-sucedidos e desprezar os idealistas que não alcançam um grau expressivo de notoriedade.

Mas os louros não fazem falta a esses últimos, pois sua recompensa maior está na sua serenidade, que os primeiros não têm apesar de todas as homenagens enganosas.

SOBRAL PINTO foi uma das mais importantes figuras do mundo jurídico do século XX, apesar de ter passado quase despercebido pelos holofotes da Mídia sensacionalista e fútil.

Quantos outros operadores do Direito representam verdadeiras garantias para os cidadãos, que neles confiam e deles recebem o melhor em termos de espírito de Justiça!

Muitos desses homens e mulheres vivem em cidades minúsculas ou em recantos pouco conhecidos do interior, mas têm o brilho dos autênticos iluminados.

Depois de ter trilhado muitos caminhos, sempre no interior, sinto-me tranquilo por nunca ter vendido a consciência em troca de homenagens, títulos, favores e diplomas.

Pretendo continuar a viver os anos que me restarem no interior, onde há menos disputa entre as pessoas, mais espontâneas no ideal de servir aos semelhantes.

Revista Jus Vigilantibus, Quarta-feira, 30 de setembro de 2009

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