O péssimo ensino jurídico brasileiro
por Luiz Guilherme Marques.
DORA INCONTRI afirma que a ideologia das escolas ocidentais continua mais ou menos a mesmo da que foi implantada há 400 anos.
Na realidade, há problemas sérios tanto da parte das próprias escolas como também dos professores e alunos.
A maioria das escolas particulares vive tão preocupada com a parte financeira, que deixa em segundo lugar o próprio empenho em bem ensinar seus alunos. As escolas públicas recebem poucos recursos e seguem uma rotina burocrática de morte em vida.
A grande maioria dos professores não é realmente vocacionada e encara seu trabalho como “bico” ou não tem empenho em aperfeiçoar-se ao argumento de que a remuneração é desanimadora.
Os alunos geralmente querem ser aprovados sem investimento no aprendizado, visando apenas certificados e títulos.
Não se estimula os alunos a amar o Conhecimento como uma fonte de prazer intelectual além de propiciar chances de se conseguir um trabalho mais qualificado.
Há uma preocupação imediatista: só estudarei se houver um resultado rápido, mensurado em tantos reais mensais de remuneração.
Quanto ao ensino jurídico, a realidade é também essa.
Pouquíssimos alunos são realmente vocacionados e optam pelo Direito pensando nos concursos públicos.
Os professores dão aulas como segunda opção de renda e não procuram despertar os alunos para a procura do Conhecimento. Não despertam a criatividade dos alunos na procura de soluções para as múltiplas ocorrências jurídicas. Simplesmente obrigam os alunos a decorar pontos do conteúdo programático ou pouco mais do que isso.
Muitas escolas particulares fazem o papel de empresárias dos diplomas fáceis.
O resultado é a massa enorme de diplomados sem nenhuma chance no mercado de trabalho e nos concursos porque não vocacionados e mal-preparados.
O diploma é, para a maioria, mera ilusão. Muito tempo e dinheiro são investidos pelos alunos em troca de um certificado que não corresponde à realidade quanto à verdadeira competência.
Outra falha grave do ensino jurídico é o descompromisso com a Ética. Os alunos são preparados para atuarem como se o mundo jurídico fosse uma partida de futebol, onde a “catimba” faz parte do dia a dia. O importante é vencer o adversário...
Não aprendem que o importante é resolver realmente os problemas dando razão a quem a tem ou pacificando as partes através da conciliação.
Com isso, o número de litígios aumenta, cresce a quantidade de profissionais antiéticos e a Justiça vive assoberbada.
No fundo, tudo isso é resultado do fato de muitos não terem real compromisso com a Ética.
É preciso uma verdadeira reforma do ensino.
Na realidade, há problemas sérios tanto da parte das próprias escolas como também dos professores e alunos.
A maioria das escolas particulares vive tão preocupada com a parte financeira, que deixa em segundo lugar o próprio empenho em bem ensinar seus alunos. As escolas públicas recebem poucos recursos e seguem uma rotina burocrática de morte em vida.
A grande maioria dos professores não é realmente vocacionada e encara seu trabalho como “bico” ou não tem empenho em aperfeiçoar-se ao argumento de que a remuneração é desanimadora.
Os alunos geralmente querem ser aprovados sem investimento no aprendizado, visando apenas certificados e títulos.
Não se estimula os alunos a amar o Conhecimento como uma fonte de prazer intelectual além de propiciar chances de se conseguir um trabalho mais qualificado.
Há uma preocupação imediatista: só estudarei se houver um resultado rápido, mensurado em tantos reais mensais de remuneração.
Quanto ao ensino jurídico, a realidade é também essa.
Pouquíssimos alunos são realmente vocacionados e optam pelo Direito pensando nos concursos públicos.
Os professores dão aulas como segunda opção de renda e não procuram despertar os alunos para a procura do Conhecimento. Não despertam a criatividade dos alunos na procura de soluções para as múltiplas ocorrências jurídicas. Simplesmente obrigam os alunos a decorar pontos do conteúdo programático ou pouco mais do que isso.
Muitas escolas particulares fazem o papel de empresárias dos diplomas fáceis.
O resultado é a massa enorme de diplomados sem nenhuma chance no mercado de trabalho e nos concursos porque não vocacionados e mal-preparados.
O diploma é, para a maioria, mera ilusão. Muito tempo e dinheiro são investidos pelos alunos em troca de um certificado que não corresponde à realidade quanto à verdadeira competência.
Outra falha grave do ensino jurídico é o descompromisso com a Ética. Os alunos são preparados para atuarem como se o mundo jurídico fosse uma partida de futebol, onde a “catimba” faz parte do dia a dia. O importante é vencer o adversário...
Não aprendem que o importante é resolver realmente os problemas dando razão a quem a tem ou pacificando as partes através da conciliação.
Com isso, o número de litígios aumenta, cresce a quantidade de profissionais antiéticos e a Justiça vive assoberbada.
No fundo, tudo isso é resultado do fato de muitos não terem real compromisso com a Ética.
É preciso uma verdadeira reforma do ensino.
Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 29 de setembro de 2009
Comentários
dr. luiz, excelente artigo. concordo com o senhor em tudo. o ensino está cada vez mais fraco e desistimulante. parabéns pela matéria. gosto e aprecio muito o que o senhor tem escrito e discutido. é um apoio pra mim e, pra outros advogados, eu creio. pretendo fazer o curso de juiz arbitral (pelo menos), o que o senhor acha? aconselhe-me. abraços.
marilia
– marilia a a e silva, mais de 2 anos atrás.
Dr. LUIZ...realmente, de forma concisa e profunda, o sr.escancarou uma das grandes deficiências desse país...o que há é uma verdadeira inversão de valores, ou melhor, de prioridade de valores, em que o dinheiro, o lucro, aquele pensamento egoístico do "ter" sobrepuja valores primordiais como a ética...infelizmente...
– mariane, mais de 2 anos atrás.
Ótimo artigo!
– Shen Rochus Mingli, mais de 2 anos atrás.
Dr. Luiz concordo plenamente com suas observações e se me permite, acrescento que o número de escolas de direito no Brasil, eleva-se a mais de 1.000 para uma população de 200 milhões de habitantes, enquanto nos EUA temos mais de 350 milhoes de habitantes e apenas 250 escolas de direito.
Na grande maioria dos professores, além de não haver comprometimento, são despreparados e repetidores de textos de livros ou apostilas mal elaboradas. Desconhecem o que se propõem a ensinar e os alunos igualmente chegam aos bancos das faculdades, sem uma base para acompanharem as aulas (quando são bem ministradas).
Na maior parte das faculdades há um excesso de permissividade sob a égide "o aluno paga". Com tudo isso os alunos não assistem aulas e os barzinhos ao redor das faculdades ficam cheios de alunos.
Ao que parece há um descaso generalizado, por parte da Direção da Escola, por parte dos Aluno que só objetivam o diploma (que lhe será entregue mesmo não sabendo fazer o "Ó" com o fundo de um copo, e das autoridades que permitem a instalação de bares no entorno de todas as escolas. Diante de tudo o que se pode esperar ?
– Eloywaldo Ribeiro, mais de 2 anos atrás.
Peço a ‘venia’ para DISCORDAR de muitos posicionamentos que a meu ver parecem genéricos e demasiadamente equivocados. Não sei se o articulista atua direto na graduação do ensino superior, uma vez que muito do que foi apontado aqui esta ERRADO ou DISTORCIDO.
Vamos a alguns esclarecimentos.
O ‘empenho em bem ensinar’, se não é o fim de alguma instituição particular, COM CERTEZA É PREOCUPAÇÃO MAIOR (ou exclusivo) dos PROFESSORES, profissionais que ali lecionam.
Já quanto as idéias citadas de “vocação” ou ‘bico’ talvez seja um juízo de mérito que muitos dos que acham que a possuem indiscutivelmente não a tem (e vice-versa), sejam eles pesquisadores, advogados, promotores e até juízes. Infelizmente, vale dizer, não é um ‘privilégio’ do ensino, pois, também ocorre nas carreiras públicas e outras, aliás, basta olhar a lentidão e a insatisfação de TODOS com os resultados e com o DIA A DIA daquilo que recebem do Judiciário.
Concordo com algumas afirmações de desestímulo à docência, todavia, isso não é diretamente proporcional a qualidade, preocupação e empenho dos professores. Assim como também concordo que há um grande número de alunos que busca a titulação, mas, isto também não se trata da unanimidade, existem pessoas em qualquer lugar dedicadas e inteligentes (inclusive nas salas de aula).
Não sei se o articulista além de judicar também leciona, pois, dizer que ‘não se estimula os alunos a amar o conhecimento’ e que não se ‘desperta aos alunos a procura do conhecimento’ mais pode parecer um desabafo ou algo que ouviu de algum colega indolente, do que fato. Mas, assevero, que o ensino de hoje certamente não é o meramente positivista, acomodado na lei e hipócrita de outrora, contudo, isto não diminui o amor do ensino, sua propriedade, nem a intensidade de sua aplicação.
Ainda me questiono se alguns que tanto criticam a graduação de hoje se esqueceram dos dias que foram alunos, afinal, não conheço ninguém principalmente da ‘antiga safra’ de estudantes de direito que achou sua época graduação um mar de rosas ou algo perfeito (com aulas criativas, fáceis, graciosas, dialéticas etc). Isso é utopia, afinal, são muitas leis, normas, princípios etc.
Repito aqui o que falo nas salas de aula, o que diferencia o aluno de uma instituição das ditas de “1a linha” das demais é o grau de seu empenho, pois os professores que ali lecionam fazem igualmente todas outras, assim, novamente não é verdade que o diploma para todos é uma ilusão.
A ética é outro ponto sensível uma vez que hoje, não só nas salas de aulas encontramos desrespeitada, vejamos: temos promotores super vaidosos que só querem vencer, juízes que vendem sentenças e outros que só querem somente querem fazer acordos para diminuir as pilhas de processos, policiais e outros corruptos, políticos que se valem de ‘atos secretos’, chefes de nação que estão alienados dos problemas internos etc. Então questiono, será a culpa é apenas do professor e dos alunos?!
Já quanto ao aumento de litígios na Justiça isso não me parece um erro ou real problema, pois, uma sociedade que sabe ter direitos (e que não pode resolve-los sozinha, uma vez que vedada a autotutela) – num Estado Democrático de Direito – busca mais aquele que ‘em tese’ tem esse DEVER e que deveria estar lhe resolvendo os problemas, quem seja: o Judiciário (este na verdade deveria estar feliz de a sociedade estar lhe procurando ao invés de achar isso um problema ou que deveriam buscar resolver sozinha, por conciliação e outros meios, uma vez que sua falha operacional, pessoal ou estrutural não é culpa da sociedade).
Concluo dizendo, que o equívoco não fica apenas na ética, mas, na FUNÇÃO que cada um deve ou deveria estar exercendo e sua EFETIVIDADE ao invés de comodamente apenas criticar o trabalho feito nas salas de aula, daí finalizar afirmando que é preciso uma verdadeira reforma NA CABEÇA DO CIDADÃO E DOS PROFISSIONAIS e não somente jogar a culpa no ensino.
Cezar Pinheiro
– Cezar A. Pinheiro, mais de 2 anos atrás.
Prezado Dr. Luiz, seu artigo, de ceta forma foi preciso e correto, porém, algumas observações devem ser citadas. Não se pode generalizar a péssima qualidade do ensino no Brasil, mas especificamente no curso de Direito. Em todos os ramos da sociedade, existem os bons e os maus profissionais. Sou acdêmico de direito e não me enquadro nessa estatística que o senhou elencou, pois, qualquer instituição de ensino superior, apenas 5% dos estudantes seguirão uma carreira blilhante, o resto, colocarão seus diplomas na parede com um troféu. Quem faz uma universidader/faculdade é o alunado, até porque, o senhor mesmo é um exemplo de um bom profissional, eu pergunto, todos que cursaram sua faculdades tiveram seu mesmo desempenho? A OAB, é o "crivo" daqueles que irão advogar, pois quem realmente não tem vocação, ficará apenas no bacherelado. De certa forma, parabéns pela sua matéria, isso é um incentivo para que nossas instituições de ensino superior melhore. Sobre a preocupação das escolas em ganhar dinheiro, a cula é do sistema capitalista deste mundo globalizado. Quanto a educação pública, a culpa é de nossos políticos, esses sim, se preocupam mais com a ganância, com o poder. Já nossos Magistrados, responsaveis pelo cumprimento de nossas Leis, muitos não honram aquilo que juraram, ou seja, no caso da violência que aumenta assustadoramente. A polícia prende e alguns juizes soltam, esses juizes que não cumprem a lei fizeram boas faculdade?
Abraços
Paulo Santos
Belém do Pará
– Paulo Santos, mais de 2 anos atrás.