Submarino.com.br

Servidores aracnídeos

Entre os vegetais e animais há predadores perigosíssimos que se alimentam dos incautos que caem em suas armadilhas sofisticadas e imperceptíveis. Um desses seres é a aranha, que, cuidadosamente, tece sua teia e fica aguardando alguma vítima que passe por ali e fique presa nas amarras indefensáveis, transformando-se em alimento.

Assim também há pessoas cuja mente tortuosa facilmente elabora planos sinistros de exploração dos semelhantes nas mínimas oportunidades que lhe apareçam de contato permanente ou fortuito.

Gente desse tipo, quando ingressa no Serviço Público, transforma-se em verdadeiro ponto de estrangulamento no atendimento ao público. Pensa imediatamente no quanto cada solicitante pode lhe trazer de lucro moral ou financeiro e muitas vezes consegue benefícios em seu favor ou de terceiros da sua estima às custas de uma atuação que deveria ser espontânea e de boa-vontade porque recebe remuneração justamente para prestar trabalho aos cidadãos.

Tanto no Executivo, quanto no Legislativo e Judiciário há servidores com esse tipo de perfil, muitos chefes e muitos subalternos.

Através de exames psicotécnicos bem elaborados – nos casos em que tal se permite por ocasião da seleção - seria fácil detectar a mentalidade mercenária e expoliadora de vários candidatos e impedir seu ingresso.

No Serviço Público não se pode admitir segundas intenções, má-fé, má-vontade e falta de sinceridade e de presteza.

Com o passar do tempo, aos poucos vai-se adotando um padrão de integridade moral mais elevada.

Uma das melhores maneiras de se obrigar à conduta mental adequada é exigir de todos os servidores – do mais ao menos graduado – a prestação permanente de contas.

Não se pode permitir a utilização de cargo público para alguém auferir vantagens pessoais.

Na prática é raríssimo alguém ser processado por crime dessa natureza, mas é comum acontecerem fatos caracterizadores.

Nosso estilo brasileiro do “deixa disso” faz com que fiquem impunes os servidores dos 3 Poderes useiros e vezeiros nesse tipo de desonestidade funcional.

Um Serviço Público que mereça o qualificativo de excelente deve congregar servidores do melhor nível de boa-vontade espontânea.

Mais importante do que os méritos intelectuais deve-se averiguar se não estamos diante de um servidor aracnídeo.

Revista Jus Vigilantibus, Quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Comentários

Como sempre, atual e realístico.
Parabéns por mais esse artigo, Dr. Luiz.
Deveria ser indicado à leitura para toda a Administração Pública do Brasil, e mesmo à população em geral para que, quiçá, saiba separar o joio do trigo.

– Mauro Renato Moretto, mais de 2 anos atrás.

Parabéns Dr.Luiz

– Marcia Regina Pires, mais de 2 anos atrás.

Deixe seu comentário