Conhecer Sócrates é necessário para o Direito e a Justiça
por Luiz Guilherme Marques.
(Dedico este artigo a LEONARDO MACHADO TAVARES)
Quando jovem, SÓCRATES procurava a finalidade da sua vida, o que descobriu ao visitar o templo de Apolo, em Delfos, em cuja entrada leu a proposta estabelecida tempos atrás por TALES, de Mileto: “Conhece-te a ti mesmo”.
Daí em diante, quando ingressou na vida adulta, ao lado das suas ocupações comuns de cidadão, pai de família e marido dedicava-se a reflexões que ia suscitando nos seus concidadãos, que acabaram irritando alguns detentores do poder, que se sentiram ameaçados na sua hipocrisia e desonestidade e o condenaram à morte.
O auto-conhecimento significava um trabalho que se prolongaria no tempo numa sucessão de conclusões que induziriam outras, e assim por diante.
Concluiu o filósofo que os sacerdotes egípcios estavam certos quando entendiam que os seres humanos são espíritos ocupando por algum tempo um corpo material e que não há apenas uma vida mas muitas reencarnações, sendo que em cada uma delas vão-se aperfeiçoando intelectual e moralmente. Dizia também que há um único DEUS e não muitos, dentre outras coisas.
Essas teses derrubavam alguns dos referenciais até então consagrados pelos atenienses e inspiravam a igualdade entre todos os seres humanos.
SÓCRATES gerou tal instabilidade para os governantes que a única solução que encontraram foi eliminá-lo através de sua condenação à morte.
Nunca se preocupou em escrever o que ia concluindo, porque achava que a escrita é insuficiente para conter as idéias, o tempo muda o significado das palavras e o principal é aperfeiçoar o íntimo das pessoas e não simplesmente encher a cabeça de informações.
PLATÃO foi dos discípulos o que mais dados anotou sobre aquelas idéias, mas diluiu-as de tal forma que deturpou algumas delas talvez pelo receio de sofrer a mesma pena do mestre. Chegou a justificar - contrariando o idealismo do mestre - o instituto da escravidão, que naquele tempo era admitido como legítimo por quase todo mundo.
SÓCRATES tinha uma grande preocupação em descobrir o que é essencial para o ser humano em detrimento do que é acessório e dispensável.
Até hoje ainda não colocamos em prática tudo o que ele idealizou para os seres humanos individual e coletivamente.
Maior que ele somente JESUS CRISTO, que traçou parâmetros para milhares de anos da posteridade.
Aproveitando as reflexões socráticas para o Direito e a Justiça, vemos que pouco nos importamos com o que somos essencialmente e interessam-nos apenas os direitos e deveres de cada um no meio social. Traçamos regras, que devem ser cumpridas e pronto.
Não justificamos mais a escravidão, mas admitimos as gritantes desigualdades como toleráveis e pouco fazemos para mudar essa realidade.
Com a superficialidade da ciência jurídica, pouco podemos fazer em termos de mudanças de profundidade nas relações interpessoais e a Justiça fica na posição do bombeiro tentando, em vão, apagar incêndios em milhares de pontos ao mesmo tempo.
É preciso que inclusive os cursos jurídicos passem a focalizar filósofos realmente densos como SÓCRATES para que os futuros teóricos e operadores do Direito abram a mente para uma nova concepção dessa ciência neste dealbar do século XXI.
Quando jovem, SÓCRATES procurava a finalidade da sua vida, o que descobriu ao visitar o templo de Apolo, em Delfos, em cuja entrada leu a proposta estabelecida tempos atrás por TALES, de Mileto: “Conhece-te a ti mesmo”.
Daí em diante, quando ingressou na vida adulta, ao lado das suas ocupações comuns de cidadão, pai de família e marido dedicava-se a reflexões que ia suscitando nos seus concidadãos, que acabaram irritando alguns detentores do poder, que se sentiram ameaçados na sua hipocrisia e desonestidade e o condenaram à morte.
O auto-conhecimento significava um trabalho que se prolongaria no tempo numa sucessão de conclusões que induziriam outras, e assim por diante.
Concluiu o filósofo que os sacerdotes egípcios estavam certos quando entendiam que os seres humanos são espíritos ocupando por algum tempo um corpo material e que não há apenas uma vida mas muitas reencarnações, sendo que em cada uma delas vão-se aperfeiçoando intelectual e moralmente. Dizia também que há um único DEUS e não muitos, dentre outras coisas.
Essas teses derrubavam alguns dos referenciais até então consagrados pelos atenienses e inspiravam a igualdade entre todos os seres humanos.
SÓCRATES gerou tal instabilidade para os governantes que a única solução que encontraram foi eliminá-lo através de sua condenação à morte.
Nunca se preocupou em escrever o que ia concluindo, porque achava que a escrita é insuficiente para conter as idéias, o tempo muda o significado das palavras e o principal é aperfeiçoar o íntimo das pessoas e não simplesmente encher a cabeça de informações.
PLATÃO foi dos discípulos o que mais dados anotou sobre aquelas idéias, mas diluiu-as de tal forma que deturpou algumas delas talvez pelo receio de sofrer a mesma pena do mestre. Chegou a justificar - contrariando o idealismo do mestre - o instituto da escravidão, que naquele tempo era admitido como legítimo por quase todo mundo.
SÓCRATES tinha uma grande preocupação em descobrir o que é essencial para o ser humano em detrimento do que é acessório e dispensável.
Até hoje ainda não colocamos em prática tudo o que ele idealizou para os seres humanos individual e coletivamente.
Maior que ele somente JESUS CRISTO, que traçou parâmetros para milhares de anos da posteridade.
Aproveitando as reflexões socráticas para o Direito e a Justiça, vemos que pouco nos importamos com o que somos essencialmente e interessam-nos apenas os direitos e deveres de cada um no meio social. Traçamos regras, que devem ser cumpridas e pronto.
Não justificamos mais a escravidão, mas admitimos as gritantes desigualdades como toleráveis e pouco fazemos para mudar essa realidade.
Com a superficialidade da ciência jurídica, pouco podemos fazer em termos de mudanças de profundidade nas relações interpessoais e a Justiça fica na posição do bombeiro tentando, em vão, apagar incêndios em milhares de pontos ao mesmo tempo.
É preciso que inclusive os cursos jurídicos passem a focalizar filósofos realmente densos como SÓCRATES para que os futuros teóricos e operadores do Direito abram a mente para uma nova concepção dessa ciência neste dealbar do século XXI.
Revista Jus Vigilantibus, Domingo, 13 de setembro de 2009
Comentários
Parabéns pelo ótimo artigo: denso e verdadeiro.
– Dílio Procópio Drummond de Alvarenga, mais de 2 anos atrás.
Devemos partir sempre da premissa “tudo neste mundo é passageiro” e se estamos aqui neste mundo real e material, não devemos nos apegar nesta materialidade e sim fazer de tudo para concretizar inúmeras formas de conhecimentos imortais;
Atenciosamente:
Parabéns pelo artigo;
– GUILHERME FERREIRA REZENDE , mais de 2 anos atrás.
Parabéns Excelência. É bom ver
– Luiz José Donizeti Campos, mais de 2 anos atrás.
Ótimo, gosto muito dos artigos do Dr.Luiz Guilherme, pois abordam temas de grande relevância jurídico-sociais. Adoro história e vejo que os problemas de hoje estão no passado. O passado é o presente ! Entendendo o passado, com certeza, o presente fica BEM melhor. Parabéns !
– Marco Antonio Clara Barbosa , mais de 2 anos atrás.
Artigos excelentes, de muita valia na minha vida acadêmica.
Parabéns
– Glayds, mais de 2 anos atrás.
Parabéns Mestre do Direito e da vida. O Douto Magistrado sempre fazendo a diferença.
– rita de cassia rotondo frizero, mais de 2 anos atrás.
Não quero ser repetitiva, mas o artigo é excelente e tomara que os seus leitores sejam contagiados por este pensamento tão construtivo e alertador.
– thelma cavalcante, mais de 2 anos atrás.