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Conhecer Sócrates é necessário para o Direito e a Justiça

(Dedico este artigo a LEONARDO MACHADO TAVARES)

Quando jovem, SÓCRATES procurava a finalidade da sua vida, o que descobriu ao visitar o templo de Apolo, em Delfos, em cuja entrada leu a proposta estabelecida tempos atrás por TALES, de Mileto: “Conhece-te a ti mesmo”.

Daí em diante, quando ingressou na vida adulta, ao lado das suas ocupações comuns de cidadão, pai de família e marido dedicava-se a reflexões que ia suscitando nos seus concidadãos, que acabaram irritando alguns detentores do poder, que se sentiram ameaçados na sua hipocrisia e desonestidade e o condenaram à morte.

O auto-conhecimento significava um trabalho que se prolongaria no tempo numa sucessão de conclusões que induziriam outras, e assim por diante.

Concluiu o filósofo que os sacerdotes egípcios estavam certos quando entendiam que os seres humanos são espíritos ocupando por algum tempo um corpo material e que não há apenas uma vida mas muitas reencarnações, sendo que em cada uma delas vão-se aperfeiçoando intelectual e moralmente. Dizia também que há um único DEUS e não muitos, dentre outras coisas.

Essas teses derrubavam alguns dos referenciais até então consagrados pelos atenienses e inspiravam a igualdade entre todos os seres humanos.

SÓCRATES gerou tal instabilidade para os governantes que a única solução que encontraram foi eliminá-lo através de sua condenação à morte.

Nunca se preocupou em escrever o que ia concluindo, porque achava que a escrita é insuficiente para conter as idéias, o tempo muda o significado das palavras e o principal é aperfeiçoar o íntimo das pessoas e não simplesmente encher a cabeça de informações.

PLATÃO foi dos discípulos o que mais dados anotou sobre aquelas idéias, mas diluiu-as de tal forma que deturpou algumas delas talvez pelo receio de sofrer a mesma pena do mestre. Chegou a justificar - contrariando o idealismo do mestre - o instituto da escravidão, que naquele tempo era admitido como legítimo por quase todo mundo.

SÓCRATES tinha uma grande preocupação em descobrir o que é essencial para o ser humano em detrimento do que é acessório e dispensável.

Até hoje ainda não colocamos em prática tudo o que ele idealizou para os seres humanos individual e coletivamente.

Maior que ele somente JESUS CRISTO, que traçou parâmetros para milhares de anos da posteridade.

Aproveitando as reflexões socráticas para o Direito e a Justiça, vemos que pouco nos importamos com o que somos essencialmente e interessam-nos apenas os direitos e deveres de cada um no meio social. Traçamos regras, que devem ser cumpridas e pronto.

Não justificamos mais a escravidão, mas admitimos as gritantes desigualdades como toleráveis e pouco fazemos para mudar essa realidade.

Com a superficialidade da ciência jurídica, pouco podemos fazer em termos de mudanças de profundidade nas relações interpessoais e a Justiça fica na posição do bombeiro tentando, em vão, apagar incêndios em milhares de pontos ao mesmo tempo.

É preciso que inclusive os cursos jurídicos passem a focalizar filósofos realmente densos como SÓCRATES para que os futuros teóricos e operadores do Direito abram a mente para uma nova concepção dessa ciência neste dealbar do século XXI.

Revista Jus Vigilantibus, Domingo, 13 de setembro de 2009

Comentários

Parabéns pelo ótimo artigo: denso e verdadeiro.

– Dílio Procópio Drummond de Alvarenga, mais de 2 anos atrás.

Devemos partir sempre da premissa “tudo neste mundo é passageiro” e se estamos aqui neste mundo real e material, não devemos nos apegar nesta materialidade e sim fazer de tudo para concretizar inúmeras formas de conhecimentos imortais;

Atenciosamente:

Parabéns pelo artigo;

– GUILHERME FERREIRA REZENDE , mais de 2 anos atrás.

Parabéns Excelência. É bom ver

– Luiz José Donizeti Campos, mais de 2 anos atrás.

Ótimo, gosto muito dos artigos do Dr.Luiz Guilherme, pois abordam temas de grande relevância jurídico-sociais. Adoro história e vejo que os problemas de hoje estão no passado. O passado é o presente ! Entendendo o passado, com certeza, o presente fica BEM melhor. Parabéns !

– Marco Antonio Clara Barbosa , mais de 2 anos atrás.

Artigos excelentes, de muita valia na minha vida acadêmica.
Parabéns

– Glayds, mais de 2 anos atrás.

Parabéns Mestre do Direito e da vida. O Douto Magistrado sempre fazendo a diferença.

– rita de cassia rotondo frizero, mais de 2 anos atrás.

Não quero ser repetitiva, mas o artigo é excelente e tomara que os seus leitores sejam contagiados por este pensamento tão construtivo e alertador.

– thelma cavalcante, mais de 2 anos atrás.

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