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Perigo e necessidade de se pregar a verdade

RENÉ DESCARTES (1596 – 1650) era francês de nascimento, mas, depois que encerrou sua vida estudantil, passou a morar no exterior, preferencialmente na Holanda, onde, na época, podia-se falar e escrever a Verdade sem o perigo de condenação pelo famigerado Tribunal da Inquisição, o qual retardou o progresso da Ciência, da Filosofia, da Arte e da Religião por vários séculos.

Quando terminou de escrever seu O Discurso do Método, morava naquele país cuja democracia era garantida por um rei esclarecido e pelo seu povo aberto a todos os tipos de idéias avançadas, mas, ainda assim, ficou com receio de, mesmo à distância, ser alcançado pelos padres jesuítas franceses e sobretudo espanhóis.

Oscilou durante algum tempo entre o dever de proclamar a Verdade e o receio de sofrer represálias como as que tinham vitimado GIORDANO BRUNO, GALILEU GALILEI e outros, mas acabou tomando a decisão em favor da humanidade.

Assim tem acontecido com muitos homens e mulheres compromissados com o ideal do Progresso.

Dentro da minha insignificância como operador e aprendiz do Direito e da Justiça, como não poderia deixar de ser, tenho enfrentado algumas dificuldades em proclamar aquilo que acredito ser a Verdade, principalmente ao afirmar o distanciamento que ainda existe entre eles e a verdadeira cidadania.

Temos sido “usados” como instrumentos garantidores de privilégios injustos das elites e do capital estrangeiro.

Necessitamos reformular o Direito e a Justiça esclarecendo a mentalidade elitista dos teóricos e dos operadores do Direito.

Sem isso continuaremos atrelados ao espírito do desumano Direito Romano, que meramente homologava a dominação dos poderosos sobre as massas espoliadas.

Somente tenho tido condição de afirmar essas Verdades de algum tempo para cá, principalmente escudado na mentalidade democrática da cúpula do Tribunal de Justiça ao qual sou vinculado. Sem isso, estaria correndo riscos invisíveis mas sérios...

Por isso, explícita ou implicitamente dedico meus artigos dos últimos tempos a REYNALDO XIMENES CARNEIRO e SÉRGIO ANTONIO DE RESENDE, respectivamente 2º Vice-Presidente e Presidente do TJMG.

Os opositores, todavia, não devem ser desconsiderados, uma vez que seus questionamentos, se improcedentes, valorizam a Verdade, e, se procedentes, obrigam-nos a revisar nossos pontos de vista.

Nesse debate todos saímos ganhando, mas principalmente os cidadãos, destinatários das normas jurídicas e da atuação da Justiça.

Nosso trabalho destina-se ao povo e esse é que deve ser colocado em primeiro plano e não nossas eventuais vaidades.

Tenho sempre batido na tecla da necessidade da seleção adequada dos servidores públicos - dentre os quais os do Judiciário – levando-se em conta sua vocação para servir, sem o que continuaremos distantes dos jurisdicionados e tratando-os “de cima para baixo”...

Revista Jus Vigilantibus, Segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Comentários

Como acadêmico de Direito continuo,ou melhor, amplio cada vez mais minha concepção de que os operadores do direito, em regra, preocupam-se primordialmente com o preenchimento de suas burras, em detrimento da procura por uma justiça mais consoante com os interesses da população, sobretudo daquela expropriada de bens patrimoniais e intelectuais. Todavia , ainda crente nos homens de boa vontade, arrisco acreditr na sinceridade do discurso do nobre magistrado Dr. Luiz Guilerme Marques. Compondo um círculo formado, em regra de vaidosos, apresentar-se como aprendiz de direito carreia créditos a seu currículo.Quanto aos servidores públicos, como o nome já diz, não passam de servos, no bom sentido, da população que lhes paga a remuneração, razão pela qual devem tratar essa mesma população com o devido zelo, respeito e atenção. Que o nobre magistrado continue cultivando a postura defendido no discurso em tela, de modo a continar honrando a profissão que abraçou.

– EDNALDO DE ARAÚJO PEREIRA, mais de 2 anos atrás.

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