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É hora de parar para refletir

A época atual se compara à adolescência de um ser humano: não conseguimos mais viver como nossos antepassados distantes, que sentiam-se relativamente felizes simplesmente por terem o que comer, moradia razoável, uma fonte de renda e a espectativa de sobrevivência apesar das escassas informações sobre questões transcendentais e a realidade dos seus irmãos de terras mais distantes, e, por outro lado, encontramo-nos ansiosos, insatisfeitos, frustrados, desconfiados e repassados por forte solidão num contexto de densa intelectualidade, rica tecnologia e um sentimento pessoal de profunda infelicidade.

Alguns psicólogos afirmam ser natural esse sofrimento interior nas épocas de reflexão que intermedeiam as sucessivas arrancadas em busca de estágios mais aperfeiçoados da evolução individual e coletiva. Assim tem acontecido, conforme podemos verificar na História.

As pessoas encontram-se insatisfeitas com as instituições, seus homens públicos e pessoas eminentes em geral e consigo próprias, reconhecendo que faltam espírito público, democracia e igualdade. Isso porque sonhamos com o poder como forma de servirmo-nos das pessoas ao invés de trabalharmos para o bem comum.

Quanto ao dever de preservação do meio ambiente, os seres humanos esqueceram-se de que representam apenas uma parcela do cenário imenso da universalidade formada por humanos, animais, vegetais e minerais num pequeno planeta que gira insignificante no sistema solar, o que não passa de um grão de areia no universo imensurável. Estamos caminhando na contra-mão das Leis da Natureza, querendo impor nossa vontade de adolescentes ao invés de estudarmos essas Leis e adequarmo-nos a elas.

Estamos deslumbrados com as descobertas científicas e tecnológicas e, com isso, entronizamos o Conforto e a Comodidade, degradando até nossa saúde por conta de todas as invencionices e modismos que nos enganam e apressam a decrepitude.

Feliz de quem consegue preservar a integridade do seu pensamento no meio de tanta solicitação da Mídia e dos truques de marketing alienante...

Os homens e mulheres que ingressam no Serviço Público são naturalmente provenientes desse mundo de contradições, muitos deles empolgados apenas com sua própria capacidade intelectual mas distanciados das reflexões sobre o real bem-comum, uma vez que foram educados apenas para ser vencedores mas nunca para incentivar e cuidar dos vencidos.

Nossa formação escolar e a maioria das nossas famílias preparam-nos para a conquista de “um lugar ao Sol” a qualquer preço.

A Pedagogia da prestação de serviços à comunidade, aplicada por inspiração de SATHYA SAI BABA sobretudo em escolas indianas, é pouco divulgada no Ocidente.

É preciso pararmos um pouco nessa correria em direção a lugar nenhum, analisarmos o que estamos pretendendo no curto espaço de tempo de uma vida à procura de poder e dinheiro, e acertarmos nosso passo no rumo da Compreensão e da Fraternidade.

Uma vida passa muito depressa e um dia perdemos o poder que lutamos por conseguir...

Revista Jus Vigilantibus, Quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Comentários

Por um ardil do tempo, nós nos tornamos os heróis de nossos romances da juventude, mas chegamos demasiado tarde para parecer românticos.

Trata-se de "coisa" que ninguém se preocupa em ensinar.

Pensar no assunto... o paciente refletindo sobre o câncer que lhe corrói as entranhas, o condenado pensando na sentença, o alvo pensando no projétil que o destruirá.

Ensina-se tudo, exceto tato, humanidade, compaixão.

– Ednando Bertoglio Rodrigues, mais de 2 anos atrás.

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