A avaliação psicotécnica deveria incluir todos os magistrados

Na França do século XVII os reis já havia algum tempo que nomeavam para os cargos públicos membros da burguesia, inaugurando-se, assim, a “meritocracia”, uma vez que os nobres, anteriormente escolhidos pela mera circunstância da sua origem, muitas vezes se mostraram despreparados.

Naquela época, muitos burgueses compravam cargos na Magistratura, visando sua ascensão.

O declínio da nobreza se acentuou e o prestígio da burguesia aumentava dia a dia.

Os magistrados franceses adquiriram tanto prestígio que, no século XVIII, contribuíram para a eclosão da Revolução Francesa ao desestabilizarem o rei LUÍS XVI. Preocupavam-se sobretudo com seus próprios interesses muito mais do que com o interesse público.

Essa distorsão persistiu até 1906, quando o ingresso passou a ser através de concurso público.

A Psicologia tem procurado conhecer melhor o ser humano com vistas à sua orientação no rumo da felicidade individual e coletiva.

No nosso país, o exame psicotécnico está cada vez mais valorizado, inclusive nos concursos para juiz.

Afirma essa Ciência que uma das consequências do complexo de inferioridade é a necessidade de auto-afirmação exagerada, tal como acontecia com CAIO JÚLIO CÉSAR, que, para compensar a humilhação provocada pela epilepsia, lutava para conseguir o poder a qualquer preço.

É preciso impedir que pessoas com essas características psicológicas ingressem no Judiciário, pois provocam muito mais distúrbios do que trazem soluções.

Não são movidas pelo desejo de servir, mas sim querem sentir o gosto do poder para beneficiarem a si próprias. São adultos infantilizados, que necessitam de satisfazer a vaidade insaciável, como crianças mimadas, que enjoam logo dos seus brinquedos e procuram sempre emoções novas.

Com a atual procura pela Magistratura em alta escala, o número de candidatos não-vocacionados passou a ser muito maior do que há anos atrás. Querem a estabilidade que o Serviço Público proporciona, a remuneração que não sofre as oscilações das profissões liberais e o exercício do poder.

O maior problema é que os cargos mais elevados do Judiciário são providos por livre escolha dos chefes dos Executivos Estaduais e Federal, com o único referencial do “notável saber jurídico e conduta ilibada”...

Há o risco de ingressarem nos nossos quadros pessoas que nenhuma vocação têm para o Serviço Público – por não se sentirem inclinadas a servir o público – e até fortemente dominadas pelo complexo de inferioridade que as impulsiona para o poder a qualquer custo.

Nossa instituição precisa ser aperfeiçoada se não quisermos merecer a desconfiança de parte da população, que não confia em nós por causa de alguns maus profissionais...

Revista Jus Vigilantibus, Sexta-feira, 10 de julho de 2009

Comentários

É verdade; ninguém pode dizer que Hitler não era inteligente, por exemplo - inteligência negativa. Notável saber jurídico qualquer pessoa inteligente pode ter, mais deve-se esmiuçar a conduta ilibada como gênero, digamos assim, e observar algumas espécies tais como: Ética, Moral, solidariedade, etc ... às vezes a pessoa não tem restrição financeira, mas sim MORAL. A primeira é facilmente solucionável, mas a segunda pode durar uma vida para resolver. Quer conhecer alguém ? Dê o poder ...

– MARCO ANTONIO C. BARBOSA. , 7 meses atrás.

Esta exigencia precisa ser obrigatória, também, para a seleção dos membros dos Ministérios Públicos, dada as responsabilidades de denunciadores, acusadores, muitas vezes implacáveis e de isenção duvidosa. O mesmo para os Delegados de Polícia.
Estes agentes públicos, ivestidos que são de quase ilimitados poderes perante os administrados, precisam estar isentos de vaidades pessoais, ter razoável equilíbrio emocional, mental, enfim, serem justos, para não macularem indevidamente, ou condenarem para sempre, inocentes.
Infelizmente esta máxima é pertinente para muitos: quer conhecer o homem lhe conceda poder.

– JOSE LOPES DE OLIVEIRA, 7 meses atrás.

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