Pascal, descartes, Jesus Cristo e o novo Direito

BRAISE PASCAL (1623 – 1662), além de matemático, físico e inventor, escreveu sobre Filosofia e Teologia, colocando a Razão em destaque, mas sempre afirmando que a inteligência humana é finita e incapaz para ultrapassar determinados limites devido à sua crença na mancha insanável provocada pelo “pecado original”.

Na mesma época viveu RENÉ DESCARTES (1596 – 1650), que, sem desacreditar de DEUS, propunha a Razão em lugar da Fé.

O resultado foi que DESCARTES acabou contribuindo mais intensamente para o progresso da civilização ocidental, gerando agradativa auto-confiança do ser humano na sua inteligência criadora.

Nesse percurso ocorreram muitos erros, decorrentes do materialismo, mas,por outro lado, sabemos que a maioria das guerras teve como motivação o facciocismo religioso.

Religião mal-compreendida e mal-aplicada é tão nociva quanto o materialismo.

O pessimismo de PASCAL contraria,na verdade, o que o próprio CRISTO afirmou: “Vós sois deuses. Vós podeis fazer tudo que eu faço e muito mais ainda.”

Não se pode imaginar que DEUS se aborreça de Seus filhos quererem evoluir intelectualmente, procurando conhecer tudo o que existe e até questioná-Lo.

Se assim permitem os pais e as mães humanos – que se sentem felizes com o crescimento dos seus filhos – que dirá DEUS, o Pai e a Mãe por excelência...

O DEUS da crença de PASCAL assemelhava-se muito mais com o DEUS ciumento, exclusivista e castigador do velho Judaísmo e não com o DEUS amoroso, afetuoso e perdoador de JESUS CRISTO.

Os homens e mulheres cansaram-se dos abusos cometidos pelos maus religiosos, dentre os quais os próprios cristãos, que se perseguiram e se dizimaram na Europa e nas suas colônias, sem contar os judeus, islâmicos, hinduístas etc., que muitas vezes agiram e agem de forma cruel...

Quanto ao Direito, depois dos abusos cometidos pelos Tribunais Religiosos, na Europa e em outras partes do mundo, passou ao mais declarado materialismo, que tem vigorado até hoje.

Grande parte dos operadores do Direito faz questão atualmente de distanciar seu trabalho de qualquer religiosidade, adotando uma Ética claramente materialista.

Todavia, a Razão essencialmente não afasta os homens e mulheres da religiosidade.

A meia-Razão é que é o problema.

A racionalidade plena leva à religiosidade plena.

Pensando, analisando e refletindo profundamente, chegamos a DEUS.

Passamos a reconhecer n'Ele a Causa do Universo, seu Sustentáculo e o Criador de tudo o que não foi criado por nós.

Nessa fase, sim, o ser humano faz-se pleno, apesar da sua relatividade e sua finitude.

Somos seres a caminho da Perfeição.

A Ciência nos leva à Crença, não à Crença cega, fanática e irracional, mas à Crença raciocinada.

Com essa mudança, o Direito – como Ciência que é – ganhará novo perfil, não castigador, rude e desumano, mas sim como educador, amorável e fraterno.

A mudança depende de cada operador do Direito, trabalhando no seu dia-a-dia.

Revista Jus Vigilantibus, Quinta-feira, 9 de julho de 2009

Comentários

Caro Magistrado. Há um conflito entre o dever de dizer a verdade nos autos e um conceito popular de que, se fosse para dizer somente a verade não haveria necessidade de advogado. Lembro-me disto ao teor de trechos bíblicos, como: A verdade vos libertará. EU sou a verdade.... Gostaria que se manifestasse a respeito desta colocação. Grato. Otto Alves Ribeiro - Advogado.

– Otto Alves Ribeiro, 8 meses atrás.

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