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Reflexões sobre a redução da jornada de trabalho

A PEC 231/95 pretende a redução da jornada de trabalho dos celetistas de 44 para 40 horas semanais.

Há quem argumente que trará prejuízo às empresas e consequente desemprego.

Todavia, a prioridade deve ser as pessoas que trabalham e não os lucros muitas vezes exorbitantes dos patrões, inclusive as grandes multinacionais que aqui aportam devido às vantagens da nossa mão de obra barata e incentivos fiscais.

BERTRAND RUSSELL já defendia, há muitos anos, a jornada diária reduzida com a finalidade do desenvolvimento individual dos trabalhadores, que ocupariam as restantes horas do dia no aperfeiçoamento pessoal.

A jornada de 8 horas representa uma sobrecarga em qualquer tipo de atividade que seja (intelectual ou braçal).

A pessoa que trabalha em excesso sofre um desgaste orgânico acelerado, o que inclusive prejudica seu rendimento a longo prazo.

Isso sem contar que, ficando limitada à rotina - por falta de tempo para estudos de aperfeiçoamento - não se atualiza o suficiente, vindo, cedo ou tarde, a ficar ultrapassada.

Seres humanos não devem ser tratados como se fossem máquinas.

A política laboral da época da Revolução Industrial mostrou ser péssima. Os trabalhadores, obrigados a desempenhar suas atividades por 16 ou 17 horas seguidas, em ambientes insalubres, mal remunerados e sem nenhuma garantia, em pouco tempo adoeciam e desenvolviam um trabalho de qualidade insuficiente.

O trabalho que realmente rende é aquele desempenhado por pessoa bem preparada, bem remunerada, satisfeita com suas condições de trabalho e confiante no seu futuro.

Deve-se mudar a mentalidade empresarial no nosso país, pois muitos empresários ainda mantêm o estilo dos senhores de escravos, que utilizaram, por vários séculos, a mão-de-obra servil de indígenas e afrodescendentes...

Sua ganância tem de ser minimizada, fazendo-os sentir o ideal de contribuir para o progresso da coletividade onde vivem.

A carga tributária sobre as empresas deve ser planejada através de estudos dos Governos em parceria com a classe empresarial.

Improcedem igualmente a justificativa dos empresários para a sonegação com o argumento de que os tributos são escorchantes e que os governantes “embolsam” o dinheiro público e a dos Governos de que têm de carregar a mão nos tributos para compensar a sonegação.

Ambos agem desonestamente nesse ponto.

A falta de interesse público é consequência do egoísmo de muitas pessoas.

Patrões querem lucros exagerados e empregados pensam somente em si próprios.

Essa mentalidade é nociva para todos.

Revista Jus Vigilantibus, Quarta-feira, 1º de julho de 2009

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