O estranho mundo dos esportes – Parte II – o agente e a exploração da fortuna alheia
por Antonio Baptista Gonçalves
Quando se pensa em esportes a primeira idéia que vem a mente é o entretenimento. E opções são as que não faltam, para todos os gostos e estilos: boxe, caratê, tênis, atletismo, futebol americano , natação, basquete, hóquei, futebol, vôlei etc.
Em terras tupiniquins, o esporte de preferência é indiscutivelmente o futebol, apesar da grande evolução do vôlei, da natação e de tantos outros.
Já nos Estados Unidos, a paixão é também o futebol, no entanto, a predileção é pela bola oval, o futebol americano.
Cada um tem o seu encanto à sua forma e o esporte é uma das poucas atividades que pode içar uma pessoa ao estrelato num lapso temporal tão curto.
Hoje você faz sua estréia numa competição numa quadra de basquete, em poucos meses, se torna um ídolo consagrado, sonho? Nem tanto, não para um garoto chamado Lebron James, chegado à liga de basquete mais competitiva do mundo: a NBA, em pouco tempo, o jovem que nem tinha chegado à maioridade ainda viu milhares de pessoas o idolatrarem da noite para o dia.
Passados nem cinco anos o ainda garoto é aclamado pelo povo americano por onde quer que vá. Uma realidade que a imensa maioria das pessoas não consegue desfrutar ao longo de uma vida.
No Brasil, o sonho de garoto é alcançar o sucesso num campo de futebol. A maioria se perde pelo caminho, mas os poucos que conseguem converter seu talento em lucros obtem verdadeiras fortunas.
Personalidades ainda mal formadas, garotos, ou melhor, agora homens recém saídos da adolescência.
Num universo no qual uma bola é o objeto do deleite existe uma gama de pessoas que vislumbraram a possibilidade de fazer fortuna através da bola, mas em verdade, não da própria, por assim dizer.
Nos referimos aos empresários que inundaram a realidade do mundo do futebol. Na semana passada, abordamos, ainda que superficialmente, a sede pelo poder que os dirigentes esportivos possuem.
A manipulação desses “administradores” utilizando a mão de obra de seus atletas para garantir a própria fama, prestigio e, acima de tudo, dinheiro.
Tais fatos provocam reações extremadas como fraudes, trapaças para se perpetrar no poder e não cair no rol do esquecimento. Para isso, vale de tudo, até usar a imagem do ídolo para se promover.
Uns vão ainda mais longe: utilizam o fanatismo da torcida para alcançarem cargos públicos, com promessas vazias de serem um “representante da torcida” no governo, possibilidade de igual monta a se descobrir ouro no jardim de casa.
Mas, existem algumas pessoas que descobriram a formula de fazerem outro de forma tão instantânea quanto o craque, o fora-de-série em fazer fortuna e qual seria a formula mágica? A representação.
Algumas pessoas descobriram que esses jogadores recém içados ao estrelato não possuem uma coisa fundamental: a base.
E do que estamos falando? Muitos desses talentos simplesmente não sabem administrar o sucesso os motivos são variados: ou porque são muito novos, ou porque não tiveram uma formação escolar adequada, ou por terem uma origem social muito humilde.
Não importa a causa a conseqüência é sempre a mesma: se uma estrela não estiver bem assessorada o talento não perpetrará a fortuna para sempre.
Quando de sua aposentadoria precoce, aos trinta e poucos anos, mesma faixa etária que muitas pessoas ainda buscam o sucesso, o dinheiro começará a ser apenas gasto e não haverá mais uma fonte mensal, ou seja, a fortuna tende a gradativamente diminuir.
Então, se não houver um mínimo de planejamento o fracasso poderá alcançar o jogador da mesma forma que um dia conheceu o sucesso.
Por isso, pessoas se aproximam desses jogadores e se oferecem para administrar suas carreiras, em troca de uma “modesta” comissão com isso há a garantia da mantença da fortuna amealhada ao longo da carreira.
Os agentes descobriram que a cada transferência uma nova quantia ingressa em sua conta corrente, pois, o representante intermedia o negócio, como um corretor ao vender um imóvel.
Então, por que não garantir mais dinheiro mais cedo? De que forma? Buscando o talento na fonte, ou seja, procurando, garimpando jovens talentos antes de ingressarem no esporte profissional.
Um agente tem muito mais chance de ganhar dinheiro se descobrir um Lebron James no ginásio do que na faculdade. As percentagens aumentam, assim como a dependência, porque o representante que decidirá qual o melhor time para o garoto.
Como esse contato começa cada dia mais cedo, os jogadores consideram essas pessoas verdadeiros pais e os tem como figuras de suma importância.
Será que a recíproca é verdadeira?
A nosso ver, se trata de uma nova forma de fazer dinheiro as custas de terceiros. Em verdade, a exploração do talento alheio não mudou muito, pois essas pessoas ingressaram mais maciçamente com o advento da globalização.
A abertura dos mercados estrangeiros propiciou uma busca por mão-de-obra de obra qualificada e busca deixou de ter fronteiras.
No Brasil, a chegada da Lei Pelé facilitou e muito a vida dos representantes, porque com o fim do passe, os atletas tem o controle de seu destino, carreira e, principalmente dinheiro.
Portanto, os agentes têm oportunidade de conhecerem o talento em dois momentos: na base, onde ainda são prematuros e não são vinculados a nenhuma agremiação em sua maioria, ou depois de despontarem, situação em que dificulta as chances de uma boa comissão.
De tal sorte, o poder que antes eram dos clubes agora estão nas mãos dos empresários, que invadem os campos atrás de talentos brutos e os oferecem o oásis, ainda sem a certeza disso.
Crianças com oito ou nove anos já possuem contratos assinados, devido a anuência dos pais, já tem um representante.
E a agremiação que investiu e formou o jovem, recebe um muito obrigado e sai com as mãos abanando. E, por isso, reclamam acentuadamente.
Outrora, eram os dirigentes quem engordavam suas contas bancárias.
O problema não é a exploração dos garotos, mas sim, a perda do pote de ouro...
Em terras tupiniquins, o esporte de preferência é indiscutivelmente o futebol, apesar da grande evolução do vôlei, da natação e de tantos outros.
Já nos Estados Unidos, a paixão é também o futebol, no entanto, a predileção é pela bola oval, o futebol americano.
Cada um tem o seu encanto à sua forma e o esporte é uma das poucas atividades que pode içar uma pessoa ao estrelato num lapso temporal tão curto.
Hoje você faz sua estréia numa competição numa quadra de basquete, em poucos meses, se torna um ídolo consagrado, sonho? Nem tanto, não para um garoto chamado Lebron James, chegado à liga de basquete mais competitiva do mundo: a NBA, em pouco tempo, o jovem que nem tinha chegado à maioridade ainda viu milhares de pessoas o idolatrarem da noite para o dia.
Passados nem cinco anos o ainda garoto é aclamado pelo povo americano por onde quer que vá. Uma realidade que a imensa maioria das pessoas não consegue desfrutar ao longo de uma vida.
No Brasil, o sonho de garoto é alcançar o sucesso num campo de futebol. A maioria se perde pelo caminho, mas os poucos que conseguem converter seu talento em lucros obtem verdadeiras fortunas.
Personalidades ainda mal formadas, garotos, ou melhor, agora homens recém saídos da adolescência.
Num universo no qual uma bola é o objeto do deleite existe uma gama de pessoas que vislumbraram a possibilidade de fazer fortuna através da bola, mas em verdade, não da própria, por assim dizer.
Nos referimos aos empresários que inundaram a realidade do mundo do futebol. Na semana passada, abordamos, ainda que superficialmente, a sede pelo poder que os dirigentes esportivos possuem.
A manipulação desses “administradores” utilizando a mão de obra de seus atletas para garantir a própria fama, prestigio e, acima de tudo, dinheiro.
Tais fatos provocam reações extremadas como fraudes, trapaças para se perpetrar no poder e não cair no rol do esquecimento. Para isso, vale de tudo, até usar a imagem do ídolo para se promover.
Uns vão ainda mais longe: utilizam o fanatismo da torcida para alcançarem cargos públicos, com promessas vazias de serem um “representante da torcida” no governo, possibilidade de igual monta a se descobrir ouro no jardim de casa.
Mas, existem algumas pessoas que descobriram a formula de fazerem outro de forma tão instantânea quanto o craque, o fora-de-série em fazer fortuna e qual seria a formula mágica? A representação.
Algumas pessoas descobriram que esses jogadores recém içados ao estrelato não possuem uma coisa fundamental: a base.
E do que estamos falando? Muitos desses talentos simplesmente não sabem administrar o sucesso os motivos são variados: ou porque são muito novos, ou porque não tiveram uma formação escolar adequada, ou por terem uma origem social muito humilde.
Não importa a causa a conseqüência é sempre a mesma: se uma estrela não estiver bem assessorada o talento não perpetrará a fortuna para sempre.
Quando de sua aposentadoria precoce, aos trinta e poucos anos, mesma faixa etária que muitas pessoas ainda buscam o sucesso, o dinheiro começará a ser apenas gasto e não haverá mais uma fonte mensal, ou seja, a fortuna tende a gradativamente diminuir.
Então, se não houver um mínimo de planejamento o fracasso poderá alcançar o jogador da mesma forma que um dia conheceu o sucesso.
Por isso, pessoas se aproximam desses jogadores e se oferecem para administrar suas carreiras, em troca de uma “modesta” comissão com isso há a garantia da mantença da fortuna amealhada ao longo da carreira.
Os agentes descobriram que a cada transferência uma nova quantia ingressa em sua conta corrente, pois, o representante intermedia o negócio, como um corretor ao vender um imóvel.
Então, por que não garantir mais dinheiro mais cedo? De que forma? Buscando o talento na fonte, ou seja, procurando, garimpando jovens talentos antes de ingressarem no esporte profissional.
Um agente tem muito mais chance de ganhar dinheiro se descobrir um Lebron James no ginásio do que na faculdade. As percentagens aumentam, assim como a dependência, porque o representante que decidirá qual o melhor time para o garoto.
Como esse contato começa cada dia mais cedo, os jogadores consideram essas pessoas verdadeiros pais e os tem como figuras de suma importância.
Será que a recíproca é verdadeira?
A nosso ver, se trata de uma nova forma de fazer dinheiro as custas de terceiros. Em verdade, a exploração do talento alheio não mudou muito, pois essas pessoas ingressaram mais maciçamente com o advento da globalização.
A abertura dos mercados estrangeiros propiciou uma busca por mão-de-obra de obra qualificada e busca deixou de ter fronteiras.
No Brasil, a chegada da Lei Pelé facilitou e muito a vida dos representantes, porque com o fim do passe, os atletas tem o controle de seu destino, carreira e, principalmente dinheiro.
Portanto, os agentes têm oportunidade de conhecerem o talento em dois momentos: na base, onde ainda são prematuros e não são vinculados a nenhuma agremiação em sua maioria, ou depois de despontarem, situação em que dificulta as chances de uma boa comissão.
De tal sorte, o poder que antes eram dos clubes agora estão nas mãos dos empresários, que invadem os campos atrás de talentos brutos e os oferecem o oásis, ainda sem a certeza disso.
Crianças com oito ou nove anos já possuem contratos assinados, devido a anuência dos pais, já tem um representante.
E a agremiação que investiu e formou o jovem, recebe um muito obrigado e sai com as mãos abanando. E, por isso, reclamam acentuadamente.
Outrora, eram os dirigentes quem engordavam suas contas bancárias.
O problema não é a exploração dos garotos, mas sim, a perda do pote de ouro...
Revista Jus Vigilantibus, Sabado, 26 de janeiro de 2008