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Pesquisa industrial mensal produção física – regional – fonte IBGE

Base: Dezembro de 2008

Em dezembro, Indústria recua em doze dos quatorze locais pesquisados

Na passagem de novembro para dezembro de 2008, os índices regionais da produção industrial, ajustados sazonalmente, recuaram em doze dos quatorze locais pesquisados, com Minas Gerais (-16,4%), Bahia (-15,6%) e São Paulo (-14,9%) apontando as reduções mais acentuadas. Os demais recuos foram menores que a média nacional (-12,4%): Ceará (-4,1%), Pernambuco (-5,7%), Pará (-6,7%), Santa Catarina (-7,5%), Espírito Santo (-7,9%), Rio de janeiro (-8,2%), região Nordeste (-8,9%), Rio Grande do Sul (-10,0%) e Paraná (-11,3%). As únicas áreas que registraram acréscimo na produção entre novembro e dezembro foram Amazonas (0,9%) e Goiás (0,4%). Mesmo com a perda de ritmo, nos últimos três meses do ano, todos os locais fecharam o ano de 2008 com crescimento, à exceção de Santa Catarina (-0,7%) que, além dos fatores relacionados à crise, também sofreu os impactos da chuva que atingiu o estado.

Ainda na série com ajuste sazonal, no confronto com o trimestre imediatamente anterior, todos os locais pesquisados assinalaram perda de ritmo do quarto trimestre para o terceiro, refletindo os efeitos da crise financeira internacional a partir de setembro. Essa desaceleração é particularmente acentuada no Espírito Santo, que passa de -0,2%, no terceiro trimestre, para uma queda de 21,7%, no quarto, seguido por Minas Gerais (de 2,2% para -16,2%) e Rio Grande do Sul (de 3,0% para -10,3%).

Em relação a dezembro de 2007, o setor industrial nacional recuou 14,5%, menor marca de toda série histórica, mesmo com a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês do ano anterior. Nessa comparação, os índices regionais foram predominantemente negativos, à exceção de Goiás (1,1%), evidenciando o aprofundamento do ritmo de queda e um alargamento do conjunto dos locais com recuo na produção. Espírito Santo (-29,6%), Minas Gerais (-27,1%), Rio Grande do Sul (-15,5%), São Paulo (-14,5%), Bahia (-13,9%) e Santa Catarina (-10,8%) registraram recuos a dois dígitos. Os demais resultados foram: Ceará (-3,9%), Pernambuco (-6,2%), Paraná (-6,7%), Pará (-6,9%), Amazonas (-9,3%), Rio de janeiro (-9,6%) e região Nordeste (-9,7%).

Os sinais de desaceleração também ficaram evidentes no confronto do último trimestre de 2008 frente a igual período de 2007, com onze locais reduzindo a produção entre os dois período. Os únicos locais que sustentaram taxas positivas no quarto trimestre de 2008 foram: Pará (1,6%), Goiás (1,4%) e Paraná (1,0%).

Com a abrupta alteração no cenário econômico mundial, todos os resultados da produção industrial para o fechamento do ano de 2008, em nível regional, ficaram abaixo do acumulado até setembro, influenciados pela desaceleração da atividade que se deu de forma pronunciada no quarto trimestre do ano. Espírito Santo (9,2 p.p.), Minas Gerais (5,0 p.p.) e São Paulo (3,4 p.p.) registraram as maiores perdas entre os dois períodos por terem na sua estrutura industrial a forte presença da cadeia automotiva e de segmentos produtores de commodities, particularmente as metálicas (minérios de ferro e siderúrgicas), setores que desaceleraram acentuadamente no último trimestre.

AMAZONAS

Em dezembro, o setor industrial do Amazonas aumentou 0,9% frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após recuar 12,1% entre setembro e novembro. O índice de média móvel trimestral recuou 4,0% entre os trimestres encerrados em dezembro e novembro, terceira taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 6,1%.

Na comparação com dezembro de 2007, a queda foi de 9,3%, segunda taxa negativa, menor resultado desde os 11,7% de fevereiro de 2007. Com isso, o índice acumulado no ano ficou em 3,9%, abaixo do fechamento de 2007 (4,5%). Nos indicadores trimestrais, a produção no último trimestre de 2008 recuou 4,7% frente a igual período de 2007 e 6,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente.

O resultado negativo (-9,3%) no índice mensal pode ser explicado sobretudo pelos decréscimos em sete dos onze setores pesquisados, com destaque para a forte contribuição negativa de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-35,1%), onde sobressaiu a redução na fabricação de telefones celulares e televisores; e, em menor medida, de edição e impressão (-22,5%) e produtos de metal (-22,8%), influenciados principalmente pelos recuos de DVD´s e aparelhos de barbear. Por outro lado, o principal impacto positivo veio de outros equipamentos de transporte (34,7%), pressionado pela maior produção de motocicletas.

No corte trimestral, observa-se que a indústria amazonense, que vinha sustentando resultados positivos há seis trimestres consecutivos, na comparação contra igual período do ano anterior, apresentou queda de 4,7% no quarto trimestre de 2008. Seis ramos contribuíram para a perda de ritmo entre o terceiro (6,1%) e o quarto (-4,7%) trimestres de 2008, com destaque para outros equipamentos de transporte, que passou de 22,2% para –5,0% entre os dois períodos, material eletrônico e equipamentos de comunicações (de 3,0% para -9,8%) e edição e impressão (de 20,1% para -12,4%).

No indicador acumulado no ano (3,9%), o crescimento foi resultado do desempenho positivo de seis segmentos, com outros equipamentos de transporte (16,7%), edição e impressão (22,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (2,7%) liderando as contribuições positivas sobre o índice global. Esses ramos foram influenciados, respectivamente, pelos itens: motocicletas; DVD´s; e telefones celulares. Em sentido oposto, produtos de metal (-15,1%) e máquinas e equipamentos (-11,7%) tiveram os principais impactos negativos, pressionados sobretudo pelos itens aparelhos de barbear; e aparelhos de ar condicionado.

PARÁ

Em dezembro de 2008, a indústria do Pará recuou 6,7% frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, acumulando nos dois últimos meses uma perda de 11,3%. Na comparação com igual mês do ano anterior, também observa-se queda (-6,9%), interrompendo sequência de doze taxas positivas. No indicador acumulado no ano, o setor encerra 2008 com expansão de 5,6%, resultado acima dos 2,7% assinalados em 2007. No quarto trimestre de 2008, a produção superou em 1,6% a de igual período de 2007 mas ficou 3,6% abaixo do trimestre imediatamente anterior – série ajustada sazonalmente.

No confronto dezembro 2008/ dezembro 2007, a indústria paraense recuou 6,9%, queda explicada, sobretudo, pelo desempenho negativo observado na indústria extrativa (-21,7%), uma vez que a de transformação (8,0%) prossegue assinalando taxa positiva neste tipo de comparação. No primeiro segmento, sobressaiu a redução na extração de minérios de ferro. Na indústria de transformação, três dos cinco ramos registraram taxas positivas, com destaque para metalurgia básica (24,2%), por conta principalmente da maior fabricação de óxido de alumínio. Por outro lado, das duas atividades que apontaram queda, a contribuição negativa mais relevante veio do setor de madeira (-32,4%), pressionado, em grande parte, pelo recuo na produção dos itens madeira serrada e compensada.

Em bases trimestrais, a indústria do Pará reduziu o ritmo de expansão na passagem do terceiro (8,6%) para o quarto trimestre do ano (1,6%), ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre estes dois períodos, cinco das seis atividades pesquisadas mostraram menor dinamismo, com destaque para a perda observada no setor extrativo, que passou de uma expansão de 12,4%, no terceiro trimestre, para uma queda de 4,0% no período outubro-dezembro, enquanto metalurgia básica (de 10,8% para 22,5%) assinalou o único ganho.

No indicador para o fechamento de 2008, a produção industrial paraense avançou 5,6%, com resultados positivos tanto na indústria extrativa (6,1%), por conta da maior extração de minérios de ferro, como na de transformação (5,1%). Nesta última, o principal destaque positivo ficou com o setor de metalurgia básica (11,3%), enquanto madeira (-24,0%) assinalou a única taxa negativa. Nestas atividades, sobressaíram os itens óxido de alumínio, no primeiro ramo, e madeira serrada no segundo.

Por fim, o índice de média móvel trimestral, que recua 2,7%, entre novembro e dezembro, acelera o ritmo de queda frente ao desempenho assinalado no mês anterior (-1,5%). Ainda na série ajustada sazonalmente, a produção industrial paraense recuou 3,6% no último trimestre do ano, em relação ao trimestre imediatamente anterior, revertendo a expansão de 4,5% verificada no terceiro trimestre de 2008.

NORDESTE

Em dezembro, a produção industrial do Nordeste, na série livre dos efeitos sazonais, caiu 8,9% em relação ao mês imediatamente anterior, terceira taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 12,9%. Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral assinalou recuo de 4,4%, entre novembro e dezembro, acentuando a trajetória descendente observada desde outubro.

No confronto com dezembro de 2007, a indústria nordestina recuou 9,7%, terceiro resultado negativo consecutivo, enquanto no acumulado no ano, assinalou acréscimo de 1,4%, resultado abaixo do fechamento de 2007 (3,1%). Na análise trimestral, o quarto trimestre de 2008 apresentou queda de 5,2% frente a igual período em 2007 e –5,3% frente ao trimestre imediatamente anterior – série com ajuste sazonal.

A queda de 9,7% frente a igual mês do ano anterior refletiu, sobretudo, as taxas negativas observadas em nove dos onze setores pesquisados, com o principal impacto sobre o índice geral vindo de produtos químicos (-33,1%); e em menor medida, de têxtil (-29,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-43,5%). Nesses ramos sobressaíram, respectivamente, os itens etileno, polietileno; tecidos de algodão; eletrodos. Por outro lado, celulose e papel (12,8%) e vestuário (32,3%) exerceram as pressões positivas, principalmente em função da fabricação de celulose e camisas.

Em base trimestrais, o ritmo produtivo da indústria nordestina desacelerou no quarto trimestre (-5,2%), em relação ao terceiro (2,8%), ambas comparações contra igual período do ano anterior, sendo este o primeiro resultado negativo desde o quarto trimestre de 2003 (-4,8%). Entre os períodos julho-setembro e outubro-dezembro de 2008, nove ramos diminuíram sua participação, com destaque para produtos químicos, que passou de 2,2% para -19,5%; celulose e papel (de 45,9% para 9,4%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (de 2,2% para -29,0%).

O acumulado no período janeiro-dezembro de 2008 aumentou 1,4%, apoiado nos resultados positivos de sete ramos. As contribuições mais relevantes sobre a média da indústria vieram de celulose e papel (25,6%), alimentos e bebidas (3,9%) e refino de petróleo e produção de álcool (2,6%), impulsionados sobretudo pelos itens: celulose; amendoim; e álcool. Por outro lado, os impactos negativos mais expressivos vieram de produtos químicos (-4,8%) e têxtil (-6,5%), pressionados em grande parte pelos itens polietileno e tecidos de algodão.

CEARÁ

A produção industrial do Ceará de dezembro, ajustada sazonalmente, recuou 4,1% no confronto com o mês imediatamente anterior, após ter apresentado retração de 3,6% em novembro. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral decresceu 2,2%, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando queda de 3,9%.

A indústria cearense recuou 3,9%, em relação a dezembro de 2007, e cresceu 2,5%, no acumulado no ano. Na análise trimestral, o quarto trimestre decresceu 1,3%, em relação a igual trimestre de 2007, e 3,6%, no confronto com o trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente).

O indicador mensal da produção industrial cearense mostrou retração de 3,9%, com taxas negativas em cinco dos dez setores industriais pesquisados. O maior impacto negativo veio do setor têxtil (-35,9%), por conta da queda da fabricação de tecidos de algodão e tecidos de malha de fibras sintéticas. Vale citar, também, calçados e artigos de couro (-8,7%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-28,1%), devido, respectivamente, à menor fabricação de calçados de plásticos e de couro, e transformadores. Por outro lado, as principais influências positivas foram observadas em produtos químicos (19,4%) e refino de petróleo e produção de álcool (30,5%), em função, respectivamente, do aumento na produção de tintas e vernizes para construção e óleo diesel.

Na análise trimestral, a indústria cearense mostrou perda de dinamismo, na passagem do terceiro (5,9%) para o quarto trimestre de 2008 (-1,3%), ambas comparações contra iguais períodos do ano anterior. Este movimento de retração é confirmado pela redução em seis atividades, entre o terceiro e o quarto trimestre. As principais contribuições negativas foram verificadas em calçados e artigos de couro, que passou de 0,5% para -16,6%; alimentos e bebidas (de 13,7% para 6,5%) e têxtil (de -5,3% para -14,0%).

No indicador acumulado no ano, a produção industrial do Ceará avançou 2,5%, com taxas positivas em seis dos dez setores industriais. Os maiores impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (11,5%), produtos químicos (17,3%), e produtos de metal (17,5%), devido, respectivamente, à maior produção de amendoim e castanha de caju torrados; tintas e vernizes para construção; rolhas, tampas e cápsulas metálicas. Em sentido contrário, os principais recuos vieram de têxtil (-8,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (-13,2%), por conta, respectivamente, da queda da produção de tecidos de algodão e óleo diesel.

PERNAMBUCO

Em dezembro, a produção industrial de Pernambuco ajustada sazonalmente recuou 5,7%, em relação ao mês imediatamente anterior, quarto resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 9,4%. O indicador de média móvel trimestral assinalou a segunda taxa negativa (-3,1%), acumulando perda de 4,4% entre outubro e dezembro.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a indústria pernambucana recuou 6,2% frente a dezembro de 2007, enquanto no indicador acumulado no ano houve aumento de 4,2%. Na análise trimestral, os resultados do quarto trimestre de 2008 foram negativos, tanto frente a igual trimestre do ano anterior (-2,3%), quanto em relação ao terceiro trimestre do ano – série ajustada sazonalmente (-3,7%).

No indicador mensal, a produção industrial de Pernambuco caiu 6,2%, devido ao desempenho negativo de nove dos onze setores pesquisados. As principais contribuições negativas vieram de alimentos e bebidas (-5,9%), produtos químicos (-18,0%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-29,7%), devido, sobretudo, ao decréscimo na fabricação dos itens: açúcar cristal; borracha de estireno-butadieno; pilha ou bateria elétrica. Por outro lado, as influências positivas vieram de refino de petróleo e produção de álcool (33,2%) e metalurgia básica (8,8%), em grande parte por conta dos avanços de álcool e vergalhões de aço ao carbono.

Na análise trimestral, após a forte desaceleração observada entre o primeiro (13,8%) e o segundo trimestre de 2008 (1,0%), a indústria de Pernambuco apresentou maior ritmo de crescimento no terceiro (5,8%), voltando a desacelerar no quarto (-2,3%), todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. O menor dinamismo entre o terceiro e o quarto trimestres foi observado em nove ramos, com destaque para produtos químicos, que passou de 4,2% para -16,6% entre os dois períodos, alimentos e bebidas (de 6,0% para -1,3%) e produtos de metal (de 5,6% para -9,8%).

No indicador acumulado no ano, a indústria pernambucana cresceu 4,2%, com resultados positivos em oito atividades. Os principais impactos vieram de alimentos e bebidas (4,1%), metalurgia básica (9,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (54,8%), influenciados pela maior produção dos itens: açúcar cristal; chapas e tiras de alumínio; e álcool, respectivamente. Em sentido contrário, as principais pressões negativas vieram de calçados e artigos de couro (-16,3%) e celulose e papel (-5,6%), em função sobretudo da menor fabricação de calçados de borracha; e sacos, sacolas e bolsas de papel.

BAHIA

Em dezembro, a produção industrial da Bahia ajustada sazonalmente recuou 15,6%, em relação ao mês imediatamente anterior, assinalando a quarta taxa negativa consecutiva, acumulando queda de 20,3%. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral decresceu 6,7% e acumulou perda de 8,5%, após três meses de resultados negativos.