Tunados x Blindados

As pessoas estão cada vez mais buscando meios de garantir sua segurança, e isso implica num enclausuramento cada vez maior dentro de casa. Mas, mesmo quando sai de casa o cidadão tem buscado essa mesma solução e hoje nos grandes centros a blindagem de veículos já não é algo tão excepcional assim, e revistas ou jornais de classificados de veículos não nos deixam mentir. Independentemente da eficiência ou não dessa forma de proteção, o fato é que um veículo que receba esse material de proteção tem alterações em sua estrutura, conforme o grau da blindagem.

Atualmente para aquisições e transferências de veículos com essa característica, bem como eventuais reparos que impliquem na troca de peças com materiais controlados ou sua destruição, devem ser acompanhadas e autorizadas pelo Exército, mas nenhuma exigência tem sido feita quanto à legislação de trânsito, uma vez que na prática está havendo uma profunda alteração nas estruturas do veículo, apesar de sua aparência estética ficar praticamente inalterada.

Muito se discute a respeito dos veículos ‘tunados’, que são veículos que passaram por modificações estéticas e mudança de alguns componentes estruturais e instalação de equipamentos (som, rodas, rebaixamento, turbocompressor, etc.), dentre eles a mais polêmica tem sido a suspensão do veículo, pelo entendimento de que ao trocar as molas e amortecedores do veículo estaria havendo alteração da suspensão e isso é proibido. Ocorre que um veículo blindado tem substancial acréscimo em sua massa, o que implica em alteração de suas reações de frenagem, curvas e estabilidade, às quais necessitam do respectivo ajuste na suspensão, a qual apesar de manter a mesma altura, não é mais a original. Com relação aos vidros, muito se polemiza o uso das películas de proteção, mas pouco se critica ou se fala sobre os vidros blindados, os quais têm substancialmente reduzido o grau de transmissão luminosa e nenhuma chancela é exigida como é o caso de películas.

Nosso assunto foi inspirado porque os órgãos de trânsito, sob a coordenação do Denatran, estão desenvolvendo estudos sobre os requisitos a serem exigidos dos veículos que recebam blindagem, e que teriam que passar por um processo de alteração de características através de organismo credenciado pelo Inmetro, bem como o respectivo registro dessa alteração. Nada contra os blindados, muito pelo contrário, mas os amantes do ‘tuning’ agradecem esse empenho e já avisam que se os blindados puderem alterar suas suspensões originais (mediante avaliação de organismo credenciado pelo Inmetro), os carros ‘tunados’ também poderão. Se os blindados puderem usar vidros escuros sem chancela os ‘tunados’ também. Se sistemas de iluminação (lanternas, faróis) puderem ser alterados, não haveria justificativa para um tratamento desigual e preconceituoso, desde que todos se sujeitem a avaliações de segurança, independente das alterações. Os ‘tuneiros’ aguardam ansiosos pelo precedente que os blindados darão...

Fonte: cedido pelo autor via online

Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 30 de novembro de 2004