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Medo de Avião

Só de ler esse título seu que muita gente não resistirá em sua leitura, uma vez que não são poucas as pessoas que sofrem terrivelmente desse mal, e por esse motivo deixam de viajar para lazer, expansão profissional e até por necessidade. Meus comentários são de alguém que passou uns dois anos em absoluto pânico só de saber que iria viajar, depois de ter passado um incidente (susto) considerável em que até os comissários, preparados para acalmar a todos, entraram em pânico... Algumas coisas me fizeram recuperar a coragem e prazer em viajar pelo Céu.

O motivo principal do medo de avião é ilógico, já que é a única certeza de quem está vivo: morrer. Depois de nascer temos uma certeza que ocorrerá com três variáveis básicas: a certeza é morrer, e as variáveis são quando, onde e como... Por incrível que pareça, a viagem de avião, depois da decolagem é também formada de uma certeza com as mesmas variáveis: depois de subir ele desce. Quando, onde e como são as variáveis que o homem tenta controlar.

Além da fé é necessário algum conhecimento de física para entender que a sustentação da aeronave é feita em algo que não dá para ver, que é o ar, pois para todos os efeitos visuais não há nada entre o avião e o chão, quanto mais compreender que há buracos que não dá para ver, traduzidos pela turbulência decorrente das massas do que não se vê.

Aqueles que enfrentam o medo e não deixam de viajar, como era meu caso, e reconhecem que a certeza ao estar vivo é que um dia não se estará, costumam tomar algumas atitudes tranqüilizantes, tais como fazer um testamento, um seguro de vida, deixar o carro em estacionamento que se deixe a chave, pois no caso de algum imprevisto não será necessário a família danificar a fechadura ou os vidros, e deixar a chave de casa no console bem visível para que o mesmo prejuízo não ocorra em casa.

O que desencadeou meu processo pessoal de superação foi um grave acidente de bicicleta, no qual literalmente caí de cabeça e sofri uma lesão na cervical que comprometeu meus movimentos abaixo do pescoço por algum tempo, do qual tive a graça de me recuperar sem seqüelas. Doravante me convenci que um inocente passeio de bicicleta pode ser até pior que fatal, passei a mudar alguns conceitos. Nesse ponto até haveria vantagens num acidente aéreo, no qual as pessoas não costumam se machucar nem ficar com seqüelas.

Depois de superado o medo você começa a descobrir alguns prazeres antes não percebidos e isso me fez questionar o motivo pelo qual o banheiro do avião não tem janela, não apenas translúcida, mas poderia ser transparente mesmo. Ora, se a janela do banheiro é translúcida para que quem está fora não veja quem está dentro, no caso do avião não creio que o motivo seja o mesmo, salvo num emparelhamento com outra aeronave. Seria uma boa distração, mas creio que não será implantada para que aqueles que gostam de viajar não demorem muito dentro do habitáculo com finalidades higiênicas.

Revista Jus Vigilantibus, Domingo, 13 de março de 2005